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Inflação está sob controle

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos anos o Brasil conviveu com taxas de inflação acima da meta fixada pelo próprio governo. Ocorreu uma combinação de fatores que fizeram com que a inflação ultrapassasse os 10% ao ano, ficando distante do limite máximo estabelecido, que é de 6,5% ao ano (lembrando que a meta é de 4,5%).

A inflação veio de um lado pelo descontrole das contas públicas. O artificialismo na condução da política fiscal pelo governo de Dilma Rousseff foi um dos motivos. De outro lado ocorreu elevação de preços das commodities em nível internacional, atingindo boa parte dos preços da economia. Soma-se a isso a própria realimentação da inflação pelo repasse das altas de custos aos preços, o resultado foi inflação nas alturas.

O ano passado, já com a nova equipe econômica, a coisa mudou. Com políticas fiscal e monetária (principalmente esta) austeras, todos nós fomos surpreendidos positivamente com inflação no ano fechado dentro da faixa definida como meta, ou seja, ficou abaixo dos 6,5%.

Este ano a inflação anualizada está em torno de 4% ao ano, tendendo a ser menor do que este patamar. Podemos afirmar que a inflação está sob controle. Um dos motivos é a baixa demanda por produtos e serviços por parte das famílias.

Dois grandes vetores definem o consumo das famílias: renda e crédito. Com 14 milhões de desempregados e pelo menos mais 8 milhões de brasileiros subempregados, não há renda para elevar a demanda. Também no tocante a renda pesquisas apontam que mais de 65% das famílias estão endividadas, não necessariamente inadimplentes, mas possuem dívidas. Há pouco espaço para saírem às compras.

O que poderia compensar a falta de renda seria o crédito e mesmo ocorrendo quedas sucessivas na taxa básica de juros, esta queda não chegou de maneira significativa até o tomador de crédito. Isso sem contar comportamento cauteloso do consumidor, notadamente no tocante a contrair novas dívidas.

Não há espaço nos curto e médio prazos para elevação de preços. Podem ocorrer casos isolados de aumentos de preços, frutos, por exemplo, da sazonalidade, como é o caso do feijão atualmente, mas estes aumentos não são capazes de contaminar os demais preços da economia. Vale lembrar que a inflação leva em conta cerca de 450 itens que compõem o perfil de consumo do brasileiro, com produtos regionalizados, indo desde alimentos, passando por manutenção do carro, do lar, produtos de higiene, até eletrodomésticos. Portanto, na média ponderada (peso de cada produto no orçamento das famílias), uma alta de preços é compensada pela queda ou não elevação de outros preços.

Qual a importância de a inflação estar sob controle? Primeiramente por acabar com o imposto inflacionário. Os mais pobres sempre perdem para inflação, estando esta baixa, é mantido o poder aquisitivo da moeda. Também inflação sob controle abre espaço para queda nos juros. Isso ajuda as empresas e o próprio consumidor, reduzindo o custo do dinheiro na ponta. As expectativas sobre o futuro da economia também ficam melhores, com maior previsibilidade, ou seja, ajuda a planejar melhor o futuro das finanças da empresa e do lar.

Não é por acaso que o mercado está animado com a sinalização que o Banco Central brasileiro fez de reduzir a meta de inflação para 4,25% ao ano. Seria a demonstração que as coisas estão caminhando na direção correta.

Evidentemente que esta constatação do total controle da inflação seria muito mais comemorada se o ambiente político não estive tão conturbado, contudo, se analisarmos que no passado não muito distante o ambiente político estava fervendo, inclusive com a cassação da Presidente Dilma e do Presidente da Câmara Eduardo Cunho e a inflação ultrapassava os 10% ao ano, não deixa de ser um alento.

Diante de tantas notícias ruins que norteiam nossa economia, ao menos comemoremos o controle eficaz dos preços. Uma coisa a menos a nos preocuparmos.

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