| Marcus Liboro |
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| Paulinho passou quase uma vida toda atrás do balcão, onde fez muitas amizades: “Não sei o que farei da minha vida. Irei descansar, mas vou sentir falta daqui |
Com 67 anos, Hiroshi Noguthi, conhecido como Paulinho, chegou a chorar nesta semana após fechar o bar que ele mantinha há três décadas na quadra 4 da praça Washington Luiz (região do Poupatempo), Centro de Bauru. E o motivo não está relacionado à crise econômica. O comerciante não aguentava mais tantos furtos. "Perdi a conta de quantos foram. Os ladrões me venceram".
Proprietários de outros estabelecimentos na mesma região relatam o mesmo drama. Ao menos cinco vítimas, num raio de um quarteirão, expuseram o problema à reportagem do JC. O sentimento é de insegurança. Em reação, a Polícia Militar (PM) garante que aumentará o patrulhamento na área.
Nesta terça à tarde, Paulinho tirou os últimos eletrodomésticos do seu bar, como um freezer e o fogão que ele usava para preparar o café que servia aos clientes bem cedinho, por volta das 6h, assim que iniciava sua rotina diária atrás do balcão. "Fiz muitos amigos ao longo desses anos", lembra, com os olhos marejados.
Apontando para o forro de madeira quebrado, por onde os ladrões entravam no estabelecimento, o comerciante relata que os furtos começaram em janeiro deste ano. Porém, pelo período de uma semana seguida, bandidos "visitaram" o bar todas as madrugadas. A sequência de crimes foi o estopim para a decisão de encerrar as atividades.
"Eu chegava de manhã e, muitas vezes, não tinha o que servir para os meus clientes. Nesses sete dias, o prejuízo foi de, aproximadamente, R$ 3 mil. Não tem mais o que fazer, a não ser fechar as portas mesmo", lamentou Paulinho, que, agora, não vê outra alternativa a não ser ficar em casa o dia todo junto da esposa.
"Não sei o que farei da minha vida. Irei descansar, mas vou sentir falta daqui (do bar). Era algo que eu gostava de fazer, que me completava. Mas, me obrigaram a parar", diz ele, referindo-se aos ladrões, enquanto observava cada canto do estabelecimento que, por longos 30 anos, foi o seu segundo lar. "Quase uma vida inteira nesse cantinho", finaliza.
MAIS CASOS
A menos de 100 metros do bar de Paulinho, na quadra 4 da rua Inconfidência, um casal, dono de uma lanchonete, viveu drama semelhante na madrugada deste último sábado. "Nós moramos nos fundos e ouvimos um barulho. Quando meu marido saiu para ver, se deparou com um rapaz dentro do estabelecimento", relata Tatiane Rufino de Lima, 27 anos.
Do lado de fora, dois ladrões conseguiram fugir, conta o empresário Evanio Aparecido da Silva, 28, que foi agredido com uma cadeirada ao tentar segurar o jovem. "Hoje (terça-feira), fui fazer um exame de corpo de delito". Agora, a sensação da família é de medo. "Desde sábado, a gente não dorme direito. Minha filha de 5 anos está em estado de choque", lamenta Tatiane.
O prejuízo da proprietária de um xerox ao lado da lanchonete foi de R$ 300,00 após um ladrão entrar no local, nesta semana, em plena tarde, e anunciar o assalto. "Com uma faca, ele ameaçou a nossa funcionária", detalhou Luciana Rocha, 46 anos. Ela ainda acrescentou que, dias antes, uma mulher e um homem foram roubados na mesma região, enquanto esperavam condução em pontos de circulares.
| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Alarme espantou ladrões no comércio de Julio Cesar: 'Para ter um pouco mais de segurança, temos que contar com a tecnologia' |
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| Loja de calçados de Marco Cavassan só não foi furtada porque ladrões se assustaram com a chegada da vítima |
'Está perdido de bandidos'
A uma quadra do bar do Paulinho, ladrões tentaram entrar em uma loja de calçados, na madrugada desta terça. Só não consumaram o furto porque o dono do estabelecimento, Marco Vinicius Cavassan, 36 anos - que mora nos fundos -, ouviu o barulho e, ao sair, acabou inibindo a ação. "Ele se assustou comigo e fugiu".
Marco reiterou o discurso da maioria. "A sensação é de insegurança, de impunidade. Esse pedaço (região) está perdido de bandido", critica, acrescentando que possui um estacionamento na mesma quadra, que também foi alvo de ladrões. "Quebraram o cadeado e levaram um compressor de ar".
Em uma distribuidora de alimentos do outro lado da rua, a preocupação era a mesma. Gerente do empreendimento, Julio Cesar Freire de Souza, 27, contou que o local foi alvo de tentativa de furto, no último sábado à tarde. "O alarme foi acionado e eles correram. Para ter um pouco mais de segurança por aqui, temos que contar com a tecnologia", aponta.
Polícia Militar direcionará policiamento para a 'região dos furtos'
Coordenador operacional da PM em Bauru, o major João da Costa Duarte garantiu que o patrulhamento na "região dos furtos" será intensificado, com a intenção de inibir os crimes. "O policiamento será direcionado, ou seja, terá um maior número de viaturas nas imediações".
Ele atribui a incidência dos casos às drogas. "Grande parte dos furtos é cometida por usuários de drogas para sustentarem o vício. E, nesta região especificamente, temos notado uma certa quantidade de moradores de ruas, que pode ter influência no número de furtos", finaliza.


