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A nova fase do capitalismo e a imposição sobre as reformas

Marcos R. C. Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Talvez muitos já sintam saudades daquela fase do capitalismo na qual se entrava como um empregado jovem em uma grande ou importante empresa, fazia-se ali sua carreira e depois de muito tempo se aposentava.

Nesta época do capitalismo fordista, os trabalhadores das grandes indústrias ou empresas, principalmente os que ocupavam cargos técnicos ou de nível superior, tinham um sentimento de estar guiando os seus próprios destinos. Faziam planos de longo prazo, pois os laços fortes e duradouros que criavam dentro do ambiente de trabalho davam uma razoável certeza que aquele caminho, aquela carreira, que tinham escolhido era relativamente plana e segura.

Segundo Richard Sennet, professor de sociologia da Universidade de Nova York, o novo capitalismo que se iniciou nos anos oitenta nos grandes países do primeiro mundo tem varrido a velha rigidez das organizações hierárquicas e, em contrapartida, tem incorporado pouco a pouco no seu lugar um novo mundo do trabalho: com flexibilidade, risco, trabalhos em rede e por projetos em diferentes e curtos espaços de tempo.

A nova fase do capitalismo impõe novas regras no mercado de trabalho. Não quer mais saber dos velhos laços fortes e duradouros com empregados ou fornecedores. Mesmo porque a nova empresa tem que ser flexível, tem que estar pronta a mudanças repentinas, conforme demandas do mercado. Não há sobrevivência naquele mundo chamado de Jaula de Ferro denominado por Max Weber, onde o grande números de normas e leis impediam a autonomia da ação dos agentes.

E é justamente na crença desta nova fase capitalista que se impõe ao Brasil mudanças nas regras das leis trabalhistas. Torná-las mais flexíveis, facilitar terceirizações, afastar obrigações sindicais etc. Que mudanças poderão advir?

Os mais liberais acreditam que menos normas e regras fará com que haja um aumento de contratações, uma vez que o empresário não terá tanta aversão em contratar com regras mais flexíveis. Assim novos empregos serão criados, estimulando a economia.

Por outro lado, os que não acreditam na mão invisível do mercado, dirão que os trabalhadores tão somente tenderão a perder. Pois ficarão mais vulneráveis. Os laços que terão com as empresas, agora, serão frouxos, fracos.

Trabalhadores enfraquecidos, salários mais baixos. Keynes, um dos maiores economistas do século passado, já observara que os salários tinham uma rigidez para diminuir quando havia sindicatos fortes ou leis e normas rígidas no campo do direito do trabalho.

Mas, afinal, essas reformas no Brasil causarão quais impactos aos trabalhadores? Será bom ou ruim para quem? A possibilidade de um relativo aumento na empregabilidade, de fato, pode existir, uma vez que menos riscos estarão enfrentando os empresários quando resolverem contratar. Por outro lado, os salários dos empregados que detém média e baixa qualificação, e que podem ser substituídas no curto prazo, tendem a sofrer as piores consequências.

Já assistimos nas grandes capitais ex-empregados que hoje trabalham como empresários autônomos dirigindo seus carros que agora são chamados de ubers. Nesta nova profissão, muitas vezes, fazem 12, 14 horas ao dia, sem hora para almoço, sem vale-refeição, sem plano de saúde. Muitos já dizem: - "Bons tempos aqueles que era empregado e não sabia".

Este novo mundo capitalista que impõe novas regras está chegando mais do que nunca ao Brasil. Se levarmos com exemplo os EUA, observa-se que este país implantou no governo Reagan nos anos 80, no auge da política neoliberal, regras mais flexíveis no campo do trabalho. Observou-se que, de fato, aumentou o nível de emprego desde então, entretanto, a classe média americana vem despencando ano a ano, perdendo relativamente seu poder de compra.

Distanciou-se ainda mais a renda entre os que mais e menos ganham, fato já verificado pelo economista francês Pikety. Agora, o quanto podem estar relacionadas tais variáveis e como seriam seus efeitos no mercado brasileiro ainda não sabemos exatamente. Enfim, oremos!

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