Foi em 24 de junho de 1717, noite de São João, que se fundou em Londres a primeira forma organizada de Lojas Maçônicas em que estas aderiram a um novo tipo de relação piramidal criando-se uma potência atratora chamada Grande Loja Unida da Inglaterra. As quatro Lojas que formavam a potência curiosamente não tinham denominações, sendo conhecidas pelos nomes da tavernas e cervejarias que se reuniam, sendo elas: Copázio e Uvas, Coroa, Macieira e Ganso e Grelha, perto da catedral de São Paulo.
Essa forma organizada estabeleceu-se em rede, que se espalhou também pela França, Holanda, Escócia e Alemanha, consolidada por regras e constituições compiladas em atas, cuja data é o marco do nascimento da chamada Maçonaria Simbólica ou Especulativa. Há de se destacar que a Maçonaria Operativa é bem mais antiga como as Corporações de Ofício da Idade Média, formada basicamente por mestres de obras e pedreiros (maçons em francês), responsáveis pela construção dos grandes templos, catedrais e fortificações, que mantinham em segredo as plantas e as fórmulas de cálculo de engenharia, compartilhada apenas entre seus iguais.
Foi deste vínculo com as tradições da construção e da influência marcante da Ordem dos Cavaleiros Templários que a Maçonaria herdou e adotou as ferramentas do pedreiro como símbolos que ilustram os seus ensinamentos filosóficos a ser cultuado por homens de bons costumes, que mantêm dentro de si a chama do amor ao próximo, o ardor da solidariedade, o altruísmo da fraternidade e a crença que a liberdade seja, de fato, abrangida pelos povos e pelas nações.
Se ontem a Maçonaria se ocupava da edificação de igrejas e palácios suntuosos, hoje busca as obras da construção íntima do homem pelo aprimoramento do caráter, culto à moral e da prática da caridade, sustentada pela mais completa liberdade de consciência, no exercício da tolerância que se traduz no respeito à razão e convicções de cada pessoa.
Talvez hoje a Ordem Maçônica mereça renovar-se após 300 anos de existência simbólica e repensar seu papel no mundo atual. É chegado o momento do resgate das velhas raízes para o restabelecimento dos valores morais e éticos, baseados na inteligência do viver em harmonia, cumprindo as regras do entendimento para se conseguir uma sociedade mais justa e perfeita.
Nesta data, Dia de São João, patrono da Maçonaria, almejamos que as ações da Sublime Ordem não fiquem apenas restritas aos encontros semanais intramuros das Lojas, mas que saia do silêncio inerte da tradição e alcance a dinâmica viva da evolução, duas vias que devem caminhar juntas.
A Maçonaria é uma grande universidade de aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual do ser humano, proporcionando a seus adeptos a grande oportunidade de canalizar suas ações nas práticas das virtudes, sempre em benefício da humanidade.
Os seus objetivos são claros e precisamos colocá-los em prática, pois não podemos esquecer que a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade não são meras palavras vazias, mas sim perspectivas de um mundo melhor.