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Jorge Zogheib, um bauruense

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Em abril último, o Jornal da Cidade noticiou a morte do bauruense Jorge Miguel Zogheib, com setenta anos. Jorge era o filho mais jovem do casal Florinda e Nassif, e irmão de Saad e Eduardo, membros da tradicional família Zogheib de Bauru.

Os mais jovens talvez não tiveram o privilégio de tê-lo conhecido. Filhos moldados em uma família cristã, os irmãos Zogheib participavam, na década de 1960, dos movimentos estudantis Juventude Escolar Católica (JEC) e Juventude Universitária Católica (JUC), seções da Ação Católica Brasileira. Também faziam parte desses movimentos o saudoso Izaías Milanezi Daibém e Milton Dota, dentre tantos outros. Se preocupavam com os problemas sociais da época e almejavam a melhoria de qualidade de vida da população.

Durante esses anos conheceram o engenheiro bauruense Roberto Hamilton Salvadeo Cruz, que na época cursava engenharia na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Lá Cruz conhecera algumas pessoas que falavam do Movimento dos Focolares, de cunho cristão-ecumênico, nascido em Trento, norte da Itália, nos anos 1940, durante os horrores da Guerra, sob inspiração de Chiara Lubich.

Jorge, Saad e Eduardo logo se encantaram com as propostas de Chiara e aderiram prontamente. Na verdade, Chiara pregava a vivência plena do Evangelho o que, para os irmãos Zogheib, era uma resposta aos seus anseios à época. Com o golpe militar de 1964, os irmãos passaram a ser perseguidos pela ditadura. Saad chegou a ser preso. No entanto, quando procuravam os militares por provas do envolvimento dos irmãos Zogheib com os comunistas, encontraram somente "uma bomba", a Bíblia, que procuravam viver intensamente. Em 1970, conheci os irmãos Zogheib, momento em que tive a oportunidade de saber sobre o Ideal de Chiara, em uma reunião realizada na casa de dona Florinda, à rua XV de Novembro, atrás da Igreja Santa Teresinha. Minha mãe, participante ativa da Igreja, me havia dito: "Os irmãos Zogheib têm uma proposta de vida que vai ao encontro de seus anseios". A partir de então, me tornei um focolarino, tal como Jorge, Saad e Eduardo.

Jorge Miguel foi uma pessoa absolutamente coerente, alegre, boa, honesta, cheio de vida, sempre disponível a todos que o procuravam. Faço minhas as palavras de Saad: Jorge "amou a muitos, não se poupou na adesão corajosa e provada da fé. Anunciou com palavras e gestos a novidade de um grande carisma, mas foi com a dolorosa via levada quase a exaustão que testemunhou até o fim que o amor vence a morte."

Jorge fora professor de muitos bauruenses. Com cada pessoa que conhecia estabelecia o compromisso de segui-la e de se sentir responsável por ela. Morando fora de Bauru há muitos anos, sempre procurava saber de notícias da cidade e, principalmente, daqueles seus amigos que por aqui ficaram. Enfim, Jorge viveu uma vida brilhante.

Não foi protagonista de grandes fatos, mas deixou um rastro de luz, marcado pelo amor ao próximo e na firme esperança de construir um mundo melhor, mais fraterno e humano. Esse bauruense será sempre lembrado pela simplicidade de vida, mas com uma grande intensidade. Um exemplo para todos nós.

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