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Entrevista da Semana: Jefferson, campeão por onde passa

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

João Pires/ LNB
Ala/pivô, campeão brasileiro com o Gocil/Bauru, acumula títulos pela

carreira e garante que ainda quer jogar por Bauru e pela Seleção

O ala/pivô Jefferson William, aos 34 anos, é um dos principais jogadores do Brasil de sua geração. Campeão por onde passou, o atleta defendeu a seleção brasileira e, há três temporadas, defende o Gocil/Bauru Basket. Antes, passou por outras equipes tradicionais do basquete nacional, como São José, Flamengo, Assis, Ribeirão Preto, Paulistano, Londrina e Hebraica, clube em que teve sua primeira experiência como profissional, após ser revelado pelo Clube de Regatas Tietê, também de São Paulo. Teve ainda passagem pelo basquete universitário dos Estados Unidos e jogou um ano na Hungria.

Em Bauru, Jefferson já chegou com o status de um nome de peso, em 2014. Logo em sua primeira temporada, três títulos: Campeonato Paulista, Liga Sul-Americana e Liga
das Américas, integrando o elenco que é considerado o mais forte já montado pelo Dragão até hoje, na temporada 2014/15, que tinha ainda jogadores do quilate de Larry
Taylor, Ricardo Fischer, Alex Garcia, Robert Day, Murilo Becker e Rafael Hettsheimeir.

Na última temporada, alguns deles saíram da equipe, mas Jefferson e Alex seguiram na equipe e foram peças fundamentais na conquista do Novo Basquete Brasil (NBB) 2016/17, título inédito para Bauru e que garantiu o bicampeonato brasileiro para a cidade, que já havia vencido o antigo Nacional, em 2002, com o Tilibra/Copimax. Abaixo, o camisa 11 do Bauru fala um pouco mais de sua carreira e do futuro.

JC - Não tem como ser diferente, temos que começar falando do título do NBB, que mobilizou muita gente em Bauru. Como foi esse desafio para vocês após uma temporada com o elenco sendo remontado?

Jefferson - Esse NBB teve um gosto especial para a gente. Batemos duas vezes na trave (em 2015 e 2016), perdendo na final e, dessa vez, vários jogadores saíram da equipe. Mas nosso time continuou forte. E é especial por tudo que eu passei em Bauru. Quando cheguei, em 2014, conquistamos muita coisa, Paulista, Sul-Americana, Liga das Américas, e foi um
momento muito feliz, mas, na mesma temporada, tive uma lesão séria no tendão de aquiles. Não consegui jogar a final no NBB de 2014/15 e, ano passado, já consegui atuar, fui bem,
mas não saímos com o título. E, agora, deu tudo certo. O time estava completo e foi um momento de muita felicidade, com a conquista do título e premiações individuais.

JC - Da forma como o time ganhou, mostra que cresceu na hora certa?

Jefferson - A gente não era o favorito no começo do campeonato, principalmente depois da saída do Rafa (Rafael Hettsheimeir, pivô, que saiu do time no meio do NBB), ficamos meio que desacreditados, terminando em quinto lugar na primeira fase. Mas internamente a gente
sempre acreditou, e sabíamos que se o jogo encaixasse na hora certa, poderíamos ir mais longe. Alguns adversários foram caindo ao longo dos playoffs, e a gente também superou
muitas adversidades, revertendo as séries contra o Brasília, depois o Pinheiros, que estava 2 a 0 para eles, e na final a mesma coisa com o Paulistano. O título é fruto de muito trabalho.

JC - Vendo de fora, o elenco passa a impressão de ter um bom relacionamento. Como é o dia a dia de vocês?

Jefferson - O basquete é um meio em que todo mundo se conhece e acaba fazendo amizades, mesmo de jogar contra. Tem muitos atletas que a gente conhece desde as categorias de base. O Shilton (pivô), por exemplo, é um cara que eu conheço desde os 12 anos de idade, ele é um ano mais velho que eu e sempre nos enfrentamos desde a base.
E, agora, na hora certa e no lugar certo, estávamos no mesmo time e ganhando o NBB. É um título que vai marcar nossa amizade para o resto da vida. O Gegê, o Gui Deodato, são jogadores que eu também tenho bastante amizade, e é isso que faz um time campeão, esse respeito um com o outro. Daqui 10, 20 anos, todo mundo vai lembrar do título e a gente também vai lembrar sempre das amizades dessa época, e sendo campeão isso marca ainda mais.

JC - Qual momento você considera o melhor em Bauru? E o mais difícil também?

Jefferson - Acho que o melhor momento foi o primeiro ano, quando ganhamos Paulista, Sul-Americana e Liga das Américas. E foi também o momento mais difícil, pela lesão no tendão de aquiles. Foi uma lesão que me atrapalhou, uma fase triste. Fui me recuperando e busquei meu melhor basquete. No NBB da temporada passada, já estava com o meu melhor basquete e, desde então, foi só alegria para mim, até agora, e considero que estou bem fisicamente, no meu melhor nível. Fiz uma das minhas melhores temporadas da minha carreira neste ano. E a adaptação à cidade foi ótima, me identifiquei muito com Bauru. E meu filho é bauruense,
então vou lembrar sempre.

JC - Inevitável perguntar: você segue em Bauru ou tem propostas de outros times?

Jefferson - Sim, propostas a gente sempre tem, mas, com certeza, meu pensamento é ficar. Ninguém quer sair de um lugar onde está feliz, a família está bem. As coisas estão “redondas”
aqui, pela identificação que tenho. Ao mesmo tempo, temos boas propostas chegando, mas vou fazer um esforço para tentar permanecer. Se Deus quiser, vai dar tudo certo, começamos
agora a conversar com a diretoria.

JC - Você segue pensando em Seleção Brasileira?

Jefferson - Eu estou com 34 anos. Quando passou as Olimpíadas, imaginei que não queria mais. Só que vi que, fisicamente, tenho condição de ir ainda, jogar em alto nível. E, se vier uma convocação, vou me apresentar e quem sabe chegar até nas Olimpíadas de 2020. Estarei com 37 anos e acredito que tenho tudo para estar bem fisicamente. Hoje é possível alongar a carreira, se alimentando melhor, se cuidando. Você pode perder em alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, melhora o arremesso, o posicionamento em quadra. Isso, o Cadum me falava lá no começo do minha carreira, quando eu estava no Hebraica, e é verdade.

JC - Além de Bauru, quais outros clubes te marcaram ao longo da carreira?

Jefferson - Acho que o Flamengo, onde ganhei meu primeiro NBB, o único antes desse, e também uma Liga Sul-Americana, é um clube com muita torcida. E o São José, onde fui campeão paulista e vice do NBB. É outro clube com uma torcida fantástica, a exemplo do Bauru. São os três times que mais me identifiquei na minha carreira mesmo: Flamengo, São José e Bauru.

JC - Em relação ao momento atual do basquete brasileiro, qual sua visão?

Jefferson - Eu comecei no basquete quando ainda a CBB organizava o Nacional, e teve aquele campeonato sem ter um campeão, em 2006, e o patrocinador do Ribeirão Preto,
que era meu time na época, ficou descontente pela falta de seriedade do comando do campeonato e saiu. Foi o fundo do poço da modalidade. Aí criaram ligas que acabaram
não dando certo, e tendo campeonato da CBB em paralelo. Até que surgiu a Liga Nacional com o NBB e vejo que cresceu bastante, atingindo um público muito maior. Em relação à
CBB, estava uma vergonha até agora e, mesmo assim, os jogadores procuravam representar bem, alguns dirigentes também. Felizmente, a suspensão ao Brasil em competições
internacionais foi revogada, e eu estou acreditando muito nessa nova gestão da CBB.

JC - E fora das quadras, como é o Jefferson?

Jefferson - Sou um cara muito tranquilo, caseiro, gosto de ficar com a família, sair para jantar. Gosto bastante de praia também e de visitar minha família em São Paulo.

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