Economia & Negócios

Pela 1.ª vez em 2017, nível de emprego no comércio avança

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr
Ângela Correia Miedes foi contratada como gerente em maio deste ano: “Estava difícil arrumar algo assim”

Ângela Correia Miedes, 38 anos, é gerente de uma loja de roupas no Bauru Shopping. Mas, somente agora, os ventos começaram a soprar a favor dela. Foram cinco meses sem arrumar nenhum emprego fixo. "Fui contratada em maio deste ano. Estava difícil arrumar algo assim", conta.

Ângela é o retrato de uma situação geral. Após um primeiro trimestre ruim, o comércio varejista na região de Bauru voltou a registrar saldo positivo de empregos em abril.

Foi a primeira vez no ano em que o volume de contratações no setor foi maior que o de demissões em 57 municípios. Antes, o saldo positivo só havia dado as caras em novembro de 2016. "Senti que a situação está melhor mesmo. Aqui, além de mim, foram outras três contratações neste ano", revela Ângela.

Segundo a Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista do Estado de São Paulo (Pesp), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em abril, foram registradas 2.360 admissões ante a 2.324 desligamentos, resultando na abertura de 36 postos de trabalho com carteira assinada. No mesmo mês do ano passado, o saldo havia sido de perda de 326 vagas.

NO ESTADO

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Segundo Elion Pontechelle Júnior, da CDL, algumas vagas de trabalho ainda não foram preenchidas no comércio de Bauru

A performance acompanha uma tendência de recuperação do setor verificada no Estado de São Paulo como um todo. Também pela primeira vez no ano, o nível de emprego do varejo paulista foi positivo em abril, com a criação de 1,57 mil postos de trabalho. O levantamento foi elaborado com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Consultor jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Elion Pontechelle Júnior revela que, após um início de ano com poucas contratações, os estabelecimentos comerciais da cidade voltaram a oferecer vagas de emprego. E algumas delas, inclusive, sequer foram preenchidas ainda.

"Acredito que os trabalhadores, cansados de procurar por uma oportunidade e não encontrar, desanimaram e, agora, desconhecem a existência destas vagas, que são para funções diversas do comércio, desde gerentes a vendedores", descreve, salientando que os postos remanescentes ainda não foram ocupados porque os candidatos, até o momento, não se enquadraram nos critérios exigidos, como os relacionados à experiência no comércio e nível de escolaridade.

PROJEÇÕES

A pesquisa da FecomercioSP aponta que, das nove atividades analisadas na região de Bauru, quatro apresentaram crescimento no estoque de empregados em abril na comparação com o mesmo período de 2016. Os destaques ficaram por conta dos segmentos de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (1,9%), supermercados (1,1%) e lojas de móveis e decoração (1%). Já as quedas mais significativas foram a dos ramos de materiais de construção (-3,3%), concessionárias de veículos (-1,2%) e outras atividades (-1,2%).

Apesar do desempenho positivo, no acumulado dos últimos 12 meses, a região ainda contabiliza a extinção de 142 empregos com carteira assinada. E o economista Mauro Gallo não faz projeções otimistas para o semestre que se aproxima.

Segundo ele, em razão do cenário de incertezas que persiste junto com a crise política do País, os investimentos ficam estagnados, impedindo a consolidação do que parecia ser um início de recuperação econômica. "A tendência é perdermos todos os avanços que haviam sido alcançados até agora e só não teremos alta expressiva de desemprego porque o estoque já está muito baixo. O investidor, seja do mercado externo ou interno, vai continuar em compasso de espera, sem confiança, enquanto não souber qual será a configuração política do País daqui para frente", analisa.

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