O dia de mobilização contra as reformas trabalhista e previdenciária teve protestos nas maiores capitais, mas baixa adesão à greve. Manifestantes fecharam ruas e rodovias, causando congestionamentos.
Em São Paulo, sindicatos se reuniram diante da Superintendência Regional do Trabalho, no centro, de manhã, e na Avenida Paulista, à tarde. Manifestantes caminharam pela Rodovia Hélio Smidt, de manhã, em direção ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Mesmo sem bloqueio total da pista, o trânsito ficou complicado para quem tentava chegar ou sair do aeroporto. Também houve protesto no Aeroporto de Congonhas.
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, afirmou que a greve geral teve impactos menores na cidade por não ter contado com os trabalhadores do transporte. "A greve não fracassou. A espinha dorsal de uma greve maior em qualquer país são os trabalhadores do transporte." Segundo o dirigente, representantes sindicais vão à Brasília na próxima semana para continuar as conversas com os congressistas sobre as reformas.
Para Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, o movimento teve a participação esperada. "Não posso comentar a postura de outras centrais, é preciso levar em conta a dificuldade de algumas categorias pararem, mas não vamos especular sobre nada (sobre possíveis negociações com o governo Temer)", disse. "O próximo passo será parar Brasília na semana que vem, para evitar essa reforma trabalhista."
Na noite desta sexta-feira, 39, os manifestantes que estavam na Paulista caminharam em direção à Prefeitura. Ao menos oito jovens foram presos pela Polícia Militar, que lançou ao menos duas bombas de efeito moral. Os policiais não explicaram o motivo da detenção.
No Rio, transporte público e aeroportos funcionaram e bancos e agências dos correios fecharam. Houve bloqueios em vias importantes, como a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, sem confrontos com a polícia. Nos acessos ao Tom Jobim, a passagem de carros foi bloqueada. À noite, houve confusão durante protesto no centro.
No Palácio Guanabara, sede do governo estadual, servidores e alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) participaram de uma aula pública, um protesto contra o governador Luiz Fernando Pezão e o presidente Temer. Os professores não receberam os vencimentos de abril nem maio, tampouco o 13.º salário de 2016.
Mais tradicionais cenários de protestos da capital federal, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, em Brasília, amanheceram fechadas ontem pela Polícia Militar. A greve teve a adesão de metroviários, rodoviários, bancários e professores.
Em Salvador, manifestantes pararam a Avenida ACM, uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Parte dos ônibus parou e a situação ficou ainda mais complicada por causa da chuva. Os organizadores falaram em cerca de 30 mil participantes. Pascoal Carneiro, da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), anunciou a um evento bem maior em Brasília. "Nosso objetivo é intensificar as manifestações e, em breve, realizar um grande protesto em Brasília, o Ocupa Brasília." (Luciana Dyniewicz, Douglas Gavras, Roberta Pennafort, Marco Antônio Carvalho, Leonêncio Nossa, Heliana Frazão)