Política

Ginásio: arena olímpica é alternativa

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Esta é uma das arenas do Rio de Janeiro cobiçadas por Bauru que, por conta de sua estrutura pré-moldada, poderia ser deslocada para a cidade

Após o título do Gocil/Bauru no Novo Basquete Brasil (NBB) conquistado há duas semanas sobre o Paulistano, em Araraquara, voltou com força a discussão da necessidade de um novo ginásio de esportes para a cidade. Sem um local que receba pelo menos quatro ou cinco mil pessoas, o time teve que mandar a partida decisiva a 130 quilômetros de Bauru.

Um projeto já existe, elaborado há dois anos, para ocupar inicialmente o futuro parque da avenida Nações Unidas Norte. Contudo, sem obter recursos dos governos federal e estadual, e também sem verba própria, a Prefeitura de Bauru não consegue colocar a ideia em prática.

Em sessão da Câmara, o vereador Roger Barude (PPS), que foi secretário de Esportes por quatro anos na gestão do ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), sugeriu que Bauru dialogue com o Ministério do Esporte e com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) no sentido de trazer para a cidade uma das arenas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Segundo o parlamentar, a ideia precisa ser amadurecida e pode ser uma alternativa à escassez de recursos. "Existem três arenas que foram usadas nas Olimpíadas que estão paradas no Rio de Janeiro e sem previsão de uso, que estão começando a se deteriorar. Podemos discutir junto ao Ministério do Esporte e ao COB a transferência de uma delas para Bauru, pois são de estrutura pré-moldada, podendo ser transportada em partes para cá", argumenta. As arenas comportam cerca de 10 mil pessoas.

Ainda de acordo com Barude, isso reduziria significativamente o aporte necessário para um novo ginásio, estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Se a ideia for concretizada, a estrutura principal já existirá, restando para o município adequar o entorno e outros pontos internos da arena, com custo bem menor, que estariam compatíveis com o orçamento da prefeitura ou poderiam vir por meio de emendas parlamentares ou verba do Estado ou União.

COMITIVA

O vereador Fábio Manfrinato (PP) sugere que seja formada uma comitiva para levar propostas ao Ministério do Esporte, em Brasília. "Temos que mobilizar todos os setores envolvidos. Vereadores, prefeito, secretário de Esportes e as modalidades diretamente interessadas, como basquete, vôlei e o futsal, e mostrar que a cidade realmente precisa de um ginásio de maior porte, pois disputa competições de alto nível, chegando inclusive em finais. Temos de mostrar que o município também tem uma cultura esportiva e sempre tem bons públicos nos jogos", relata.

Atualmente, o maior ginásio de esportes de Bauru é a Panela de Pressão, que comporta cerca de 2.500 torcedores e foi construído em 1956, para a edição dos Jogos Abertos daquele ano. O ginásio pertence ao Esporte Clube Noroeste e desde 2011 está locado para a Prefeitura de Bauru, sendo a sede da Secretaria Municipal de Esportes (Semel) e a casa do Bauru Basket e do Vôlei Bauru, que jogam e treinam no local.

Além disso, outros eventos são realizados no ginásio, como campeonatos de MMA, judô, boxe e tênis de mesa. Desde o final do ano passado, a prefeitura paga mensalmente R$ 28,9 mil pelo aluguel do espaço, com contrato até novembro deste ano, que pode ser prorrogado caso haja interesse do município e do Noroeste, proprietário do ginásio.

PALIATIVO

Já foi cogitada a hipótese da prefeitura adquirir a Panela, em troca de parte da dívida do Noroeste, mas ainda assim o município teria que pagar parte em dinheiro, pois o clube deve cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres do Palácio das Cerejeiras. A avaliação inicial é que o imóvel custe entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, apurou a reportagem. Isso não impediria a construção de uma arena, pois a Panela seguiria sendo usada pelas equipes em jogos de menor porte, deixando o espaço novo para partidas de maior apelo e fases finais.

Também já foi considerada a possibilidade do ginásio do Noroeste ser tombado pelo patrimônio histórico, juntamente com o estádio Alfredo de Castilho, pelo valor arquitetônico e histórico do Complexo Damião Garcia, palco das principais conquistas esportivas da cidade no futebol (Noroeste), basquete e vôlei.

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