Tribuna do Leitor

O desrespeito à Constituição

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as vezes que aparece um problema mais enjoado pela frente, muda-se a lei, porque é a lei que está atrapalhando. Complicou? Muda-se a regra, deveria ser o último recurso; aqui é sempre um dos primeiros. Este é um dos motivos, possivelmente, justo agora que o país está vivendo um dos grandes momentos na sua vida política, que os nossos políticos, donos da nossa vida pública, buscam permanentemente atalhos e a facilidade trapaceira para anular realidades colocadas em nossa constituição. Bastou um desconforto; muda-se a Constituição para fazer eleições "diretas já" e, em seguida, entregar a um outro ( que vai continuar a mesma coisa) o lugar do atual presidente.

No Brasil, a Constituição ainda não completou 30 anos e já teve 96 emendas, virou um vicio, e , como todo vício, não precisa de motivos sérios para aparecer - apenas de uma oportunidade. E a oportunidade do momento chama-se Michel Temer. Um bom bode expiatório - com menos de 10% de popularidade nas pesquisas, é uma saída quase ideal. Para tirar o homem de lá , só depois das eleições de 2018, ou propõe-se para eliminar o incômodo, que Temer renuncie ao mandato, num "gesto de grandeza". Claro; não há nada mais fácil do que exigir grandeza dos outros. Dando certo tudo isso, a partir daí é simples. Monta-se uma gambiarra qualquer para mudar a Constituição e permitir assim, a invenção de "eleições diretas", algo que não existe em lugar nenhum da lei.

A proposta de "eleições diretas já", apresentada como elemento capaz de promover uma faxina geral, cai por terra quando há prognósticos de que, com ela, tudo voltaria a Lula. Ou seja, a mesma coisa.

Com esta gambiarra, querem simplesmente escapar da cadeia e da justiça, e acreditam que a maneira mais conveniente para fazer isso, ou a única disponível, é ganhar as eleições presidenciais - não em 2018, como manda a Lei, mas já, quando a Lava-Jato está roncando grosso - e comprar a imunidade para os crimes de que são acusados.

Além do mais, na esperança das centenas ou milhares de ladrões que controlam a política brasileira, uma virada de mesa desse tamanho teria a imensa vantagem de "zerar tudo" - os processos de corrupção que correm na Justiça iriam travar, e todo mundo, de todos os partidos, sairia feliz. A "soberania popular", para essas coisas, é uma beleza.

Evidentemente, que não existe nada de bom nas "eleições antecipadas", muito menos com o mais cotado nas pesquisas, o ex-presidente Lula, que comandou durante os oito anos dos seus governos os anos mais corruptos da história brasileira.

Só na Petrobras fala-se em R$ 90 bilhões para a corrupção, fora a Eletrobras, a Nuclebrás, a Caixa Econômica Federal, o BNDES, ferrovias, e, de modo geral, qualquer estatal que pudesse ter alguma coisa passível de ser furtada.

Mesmo assim, Lula diz apenas que provou ser 100% inocente, não participou de nada e não desconfiou de nada nos oito anos seguidos de governo, não admitindo que tenha tido responsabilidade por nada do que fizeram a um palmo de sua porta.

De todos os nomes citados até agora, nenhum está livre de acusações tóxicas em que vive a política no Brasil - é só um deles chegar à Presidência, qualquer um, em qualquer tipo de eleição, vai começar tudo de novo, com as delações, confissões, gravações, etc.

Os novos nomes, para as eleições de 2018, terão realmente de ser ficha limpa. E de acordo com a atual Constituição.

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