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Vamos 'criançar' as crianças?

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Quando garoto, por volta dos meus 10, 11 e 12 anos, eu brincava de peão, pique esconde, pega pega, cai no poço. Éramos, eu e meus amigos, crianças. Subíamos em árvore, jogávamos futebol, batíamos figurinhas...

Meu primeiro vídeo game foi um Atari. Brincávamos brincadeiras de criança e cantávamos as músicas da Turma do Balão Mágico. Bons tempos de criança, pré-adolescente ou deem o nome que quiserem, mas, em suma, éramos crianças. Hoje, porém, tudo mudou e as crianças "adultizaram", ou seja, comportam-se totalmente fora do compasso da idade biológica. Mini adultos, pulam etapas importantes do desenvolvimento com a anuência dos pais.

Dançam ao som de músicas sensuais, falam de beijo na boca, iniciam a vida sexual logo após os 10 anos, quando não antes. Perderam a magia da criança, das brincadeiras ingênuas, das risadas sem compromisso com a malícia. Certa vez uma jovem aluna me indagou em qual idade deveria começar a vida sexual. Perguntou justo pra mim, professor de Matemática... Dei-lhe uma reposta certeira, talvez condenada por muita gente, mas bem clara.

- Ora, você deve começar sua vida sexual quando tiver dinheiro para pagar suas contas, afinal, convenhamos que há risco de gravidez, isto sem contar nas doenças sexualmente transmissíveis...

- Mas, professor, mesmo prevenindo? Recordei-me de minha mãe e devolvi: Seguro morreu de velho, minha filha... É claro que há infinitas formas de prevenir-se de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, entretanto e sem a intenção de parecer moralista, disse aquilo justamente para ela entender que na vida há tempo para tudo, inclusive para transar. Aliás, a garotada de hoje tem muita ânsia para iniciar sua vida sexual.

Sexo é bom? Sem dúvida, mas não é coisa para criança e pré-adolescentes. É preciso, mais que urgente, "criançar" as crianças, numa conjugação que envolve pais, sociedade, professores e as crianças.

Eu crianço

Tu crianças

Ele criança

Nós criançamos

Vós criançais

E todas as crianças vivem em seu tempo, esperando o momento oportuno para serem adultas e, então, pensar em coisas de adultos...

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