Não sei se, como eu, vocês também têm o hábito de acompanhar estes programas em que o apresentador viaja por vários países com a finalidade de mostrar os pontos turísticos, os meios de transportes, os costumes, as tradições, os desafios, as edificações antigas...
Diante desta demonstração de superação, seriedade, capacidade, evolução e recuperação que vejo, e que chego à conclusão que estamos no caminho errado. Somente um país sem noção, destrói o seu passado, ignora o seu presente e não planeja o seu futuro!
Em Singapura, Pedro Andrade mostra a rigidez de conduta que o governo impõe aos cidadãos. Tudo, ou quase tudo, é proibido. Degustar um lanche e jogar a embalagem no chão, beijar a namorada na boca em público, atravessar a rua fora da faixa de pedestre, saborear um lanche ou fumar dentro do metrô, tudo isso dá multa.
Fazer tráfico de drogas no país dá pena de morte. Se alguém vandalizar a cidade de alguma forma, leva chibatadas no bumbum. Todas estas normas não são lend, e estão fixadas em lugares públicos para todos terem ciência.
Em Portugal, Didi Wagner mostra a tradição em se andar de bonde. Além do fado e dos pastéis de Belém, subir e descer as ladeiras da cidade a bordo dos lendários bondinhos amarelos é indispensável. Os primeiros bondes começaram a circular pela cidade em 1872 e eram puxados por cavalos. Apenas em 1900 é que começaram a circular os primeiros bondes elétricos, que continuam até hoje. Atualmente percorrem apenas 26 quilômetros dos 76 que existiam, mas nem por isso, os bondinhos portugueses perderam a importância, o carinho e o charme.
Na Europa, Mel Fronckowiak mostra o que a engenharia européia foi capas de idealizar, construindo estradas que são verdadeiros cartões postais. Embora muitos dos pontos turísticos da Europa possam ser visitados de trem, alguns só são possíveis de carro. Na Romênia, a estrada "Transfagarasan" foi construída na parte mais alta dos Cárpatos, inicialmente apenas para a circulação de militares, tem uma elevação de mais de 2000 metros, com mais viadutos e túneis do que qualquer outra estrada. Na Noruega, a estrada "Atlântica" que liga as cidades de Molde e Kristiansund, com seus 8 quilômetros de extensão, foi escolhida a construção do século devido as suas várias elevações, que em alguns momentos se tem a impressão de terminar no espaço. Os trens estão presentes por toda parte da Europa. Os regionais levam as pessoas a qualquer lugar, desde a menor vila à maior capital, os de alta velocidade são luxuosos e oferecem até refeições no vagão restaurante, e os noturnos oferecem acomodações para relaxar e dormir em função das viagens serem à noite.
No Japão, Bruno De Luca mostra a importância da bicicleta na cultura japonesa. O Japão é o terceiro país com o maior número de bicicletas do mundo, perdendo apenas para a Holanda e a Dinamarca. A bicicleta se tornou uma opção de transporte para milhões de japoneses não só por uma razão sustentável.
Demonstra na realidade uma tendência cultural muito antiga, que já atravessou várias gerações e que ainda persiste nos dias de hoje, utilizada por aproximadamente 99% da população.
De volta a nossa realidade brasileira, onde estão os hospitais aparelhados, as escolas especializadas, as estradas seguras, as ciclovias modernas, as moradias dignas, o transporte descente e a segurança garantida.
Com a chegada do ônibus e posteriormente do metrô, desativaram os charmosos bondes e os atraentes trens e suas tradicionais estações. Para edificar novos e modernos edifícios, derrubaram os velhos e antigos prédios e casarões. E para construírem novas praças, destruíram as antigas, com seus coretos e monumentos retrô.
Nos países da Europa os postos de gasolina não possuem frentistas, ou seja, você mesmo abastece o carro, vai até a loja de conveniência, informa qual a bomba que utilizou e faz o pagamento. Nos Estados Unidos, os jornais são vendidos em máquinas instaladas nas calçadas, hotéis e aeroportos. Para adquirir um exemplar, basta você colocar uma moeda correspondente ao valor do jornal e retirá-lo.
Na Austrália, os produtores rurais no meio do nada, instalam suas bancas de auto-atendimento para venderem seus produtos. As pessoas interessadas em adquirir alguma coisa, retiram o produto e deixam o dinheiro em uma caixinha.
O Brasil não serve de exemplo para ninguém. Lamentavelmente fugimos da escola, não fizemos a lição de casa, ficamos em recuperação e acabamos reprovados.
Por isso e por outros motivos é que temos que voltar urgentemente ao pré-primário, pois temos muito ainda o que aprender.