| Douglas Reis |
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| Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado: “Vamos propor uma dinâmica mais atual” |
O curso de Medicina da USP em Bauru, que já terá sua primeira turma no ano que vem, oferecerá uma formação humanista e diferenciada das que são ofertadas nos campi da universidade em São Paulo e Ribeirão Preto. Em 10 anos, a intenção é fazer com que ele seja um dos melhores cursos da América Latina.
Em coletiva de imprensa realizada nessa quarta-feira (5), a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e superintendente Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, adiantou que os alunos deverão ter contato com a rede pública de saúde desde o primeiro ano de aprendizado, em 2018. "Vamos propor uma dinâmica mais atual. O estudante terá a chance, por exemplo, de ver a realidade de uma mãe chorando em um pronto-socorro porque precisa internar o filho e não tem vaga. Ele vai ter a oportunidade, desde o começo, de conhecer o dia a dia da saúde pública", observa.
A diretora revelou, ainda, que a proposta deverá ser estendida aos cursos de Odonto e Fono, já existentes no câmpus da USP em Bauru. "É uma formação que avaliamos ser necessária para o País, hoje".
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E, para transformar a Medicina de Bauru em uma das melhores da América Latina, ela diz que contará com o potencial de trabalho dos servidores da USP, que considera o "maior patrimônio" da universidade. "Não tenho dúvidas de que, com o mesmo empenho que tivemos para conquistar o curso, iremos alcançar o êxito que todos esperam a partir de agora. Bauru será dividida entre antes e depois do curso de Medicina", projeta.
Como a previsão é de que o "prédio azul" só comece a funcionar como Hospital das Clínicas (HC) em 2021, os estudantes poderão ter aulas em outros hospitais da cidade e na rede básica de atendimento, com quem a USP mantém convênio. "Além disso, já existem pelo menos dois municípios da região que ofereceram seus hospitais para nossos alunos, Mas, claro, nossa preferência é Bauru", cita Maria Aparecida.
No primeiro ano de curso, as aulas serão majoritariamente realizadas nas dependências da FOB e do Centrinho. E, mesmo quando o HC já estiver funcionando, o internato hospitalar dos estudantes dos últimos anos poderá ser parcialmente cumprido em hospitais conveniados com a USP em São Paulo e Ribeirão Preto.
TRATATIVAS
De acordo com a diretora, uma comissão da USP e do Estado será formada para definir os detalhes das tratativas para que o governo possa assumir o Centrinho e o HC, com interveniência da universidade, o que já foi previamente acordado. "O Estado nos deu a palavra e, agora, iniciaremos discussões mais efetivas para consolidar esta parceria", cita.
Para equipar o HC, serão necessários aproximadamente R$ 11,8 milhões em investimentos, recursos que serão disponibilizados pelo governo estadual. Caberá ao Estado, também, garantir um aporte mensal estimado em R$ 6 milhões, que, somados aos recursos oriundos do SUS, irão manter os dois hospitais.
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Atividades ampliadas
A professora Maria Aparecida Machado destaca que a assunção dos dois hospitais pela Secretaria de Estado da Saúde será fundamental para garantir a sobrevivência e a ampliação das atividades desenvolvidas atualmente pelo Centrinho. Ela reforça que os 605 servidores que trabalham na unidade continuarão vinculados à USP e que a previsão é de que o Hospital das Clínicas, quando estiver em pleno funcionamento, abrigue 220 leitos, o que deve garantir significativa redução na fila de espera por vagas hospitalares em Bauru.
"Com a crise econômica brasileira, as dificuldades aumentaram de 2014 para cá, mas nada supera o trabalho. Se não olharmos para frente, não conseguimos transformar nada", afirma. Ainda de acordo com a diretora, a concretização do curso de Medicina em Bauru só foi possível pelo trabalho conjunto das forças políticas e acadêmicas da cidade e do Estado, em parceria com o Ministério Público. "O reitor da USP, Marco Antonio Zago, teve papel fundamental. Com envolvimento, também, do deputado estadual Pedro Tobias e do Jornal da Cidade, conseguimos o aval do governo do Estado e a parceria assumida pela prefeitura de Bauru", conclui.
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Curso de gestão em saúde
Um curso técnico de gestão em saúde deverá ser o próximo a ser criado pela USP após a implantação do curso de Medicina em Bauru. Segundo Maria Aparecida Machado, o planejamento da proposta contará com apoio das faculdades de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) de Ribeirão Preto e de São Paulo.
O objetivo será capacitar profissionais de saúde de todas as áreas, como médicos, fonoaudiólogos, dentistas, fisioterapeutas e enfermeiros, entre outros. “Hoje, a crise política e econômica do País passa por um único problema: gestão. O papel do gestor é otimizar recursos, fazer mais com menos, ter compromisso com a qualidade do serviço e trazer resultados, mesmo que o dinheiro seja escasso. O público precisa ser mais cuidado do que o dinheiro”, observa.

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