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Pai viaja 900 km para reencontrar filho


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Arquivo Pessoal
Luís Cláudio Rodrigues Sodré com o filho Luis Gustavo após o reencontro; abaixo, cartaz que ajudou a por fim no drama

Perder o contato e o paradeiro de uma pessoa é motivo de desespero e angústia. Ainda mais de um filho. Foi por essa situação que passou Luís Cláudio Rodrigues Sodré, de 56 anos, quando parou de receber informações de Luis Gustavo, de 22 anos, que havia viajado para Bauru, distante 900 quilômetros de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, onde moram. Após quase um mês separados, o final da história, por sorte, foi feliz.

Luís Cláudio narra que o filho saiu da cidade de origem e veio à Bauru com a intenção de fazer um curso. Depois de alguns dias na cidade, ele parou de dar notícias. "Um amigo de Birigui, que mora na minha cidade, me falou como eu poderia fazer para me virar aí. Então, fui para Bauru e passei quatro dias espalhando cartazes com a foto do meu filho e meus telefones. Um deles, eu deixei no albergue noturno", conta o homem, que, com tristeza, também procurou em delegacias e IML.

Esse anúncio com a foto do moço deixado no Albergue Noturno de Bauru, mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), foi definitivo para que o reencontro entre pai e filho acontecesse, mesmo que tão longe de casa. "Meu filho conta que foi assaltado, perdeu todas as suas coisas e ficou na rua, perdido, passando fome até que ele pediu ajuda a um homem que lhe deu um trocado e o informou sobre o albergue", narra o pai do rapaz, que prefere não falar sobre o assunto. "Ainda é um assunto delicado para ele, que passou por muitos momentos difíceis que quer esquecer".

EMOCIONANTE

No dia 17 de junho, o rapaz apareceu para dar entrada no albergue - uma semana depois de o pai ter retornado a Cabo Frio. O cuidador que o acolheu achou seu rosto familiar. Então, lembrou-se do cartaz que estava afixado no mural do albergue e contatou os telefones indicados ali. "O pai dele ficou bem emocionado, dizendo que viria naquela mesma noite. E ele veio mesmo. Chegou aqui na manhãzinha da segunda-feira e o reencontro foi muito emocionante", relata Francine Tamos da Silva Rodrigues, assistente social e coordenadora do albergue noturno Ceac.

"A esperança era de encontrá-lo, mas onde ele estaria? A cidade é grande. Quando nos encontramos no albergue, a emoção foi muito forte, choramos muito", relembra Luís Claudio, com muita gratidão às pessoas que o ajudaram durante sua primeira passagem por Bauru. "As pessoas da cidade de vocês me ajudaram bastante. Bauru tem um povo acolhedor".

A coordenadora do albergue ainda conta que, antes de partirem, os dois ainda foram atendidos pelo serviço social, receberam alimentação, banho, passagens para retornarem ao Rio Janeiro - tendo em vista a insuficiência de recursos da família. "É comum deixarem os anúncios, mas o reencontro é um caso atípico, infelizmente. Este reencontro e o retorno a seu município de origem nos dá a certeza da efetivação do nosso trabalho que tem como um dos seus principais objetivos o restabelecimento de vínculos familiares", conclui Francine.

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