Todos nós sabemos que o dinheiro nos ajuda em muitos aspectos de nossas vidas, mas sempre devemos ter em mente, já que atualmente existe uma busca frenética por bens materiais, que o "ter" deve servir ao "ser" e não o contrário. Alguns ficam obcecados em cada vez mais possuir bens materiais, mesmo isso valendo a infância de um filho, a ausência familiar, o desamparo a um ente querido já idoso, etc.
Não que ter objetivos na vida seja irrelevante, pois não é. O problema aparece quando o sacrifício pessoal, emocional e espiritual, ocorre em virtude apenas de busca financeira. Do que adianta trabalhar 12 horas por dia e no fim do dia tomar um ansiolítico para dormir? O "ter" nos traz certo conforto, mas nunca será a solução para tudo, pois se você não está bem com seus pensamentos, com suas energias vibracionais, você pode ter o dinheiro que for, mas vai sentir que ainda falta algo.
Assim, talvez o melhor caminho seja um equilíbrio entre vida pessoal e profissional, pois nossas vidas não se resumem à nossa profissão ou a ganhos financeiros... É muito mais do que isso! Se fossemos representar esse equilíbrio através de círculos concêntricos, o ser abrangeria o ter, sendo uma relação saudável com seus bens materiais, mas também com respeito aos seus pares. Caso inexista equilíbrio entre vida pessoal e a busca por bens materiais, haverá apenas a prevalência do "dinheiro que grita".
Martha Medeiros aborda esse tema na crônica intitulada "O dinheiro que grita", que você encontra na página 84-85 do livro "A Graça da Coisa", onde ela fala sobre a relação saudável ou não com o dinheiro: "[...] dinheiro limpo é bem-vindo: proporciona viagens, prazeres, conforto, cultura, saúde. Saúde não apenas física, mas mental, e não estou falando do fato de poder pagar um analista se for preciso, mas da tranquilidade de não ter dívidas. Uma pessoa sem dívida dorme melhor, pensa melhor, respira melhor. Além de limpo e honesto, dinheiro bom é dinheiro silencioso.
Que não se exibe, não se pavoneia, não aponta para si próprio dizendo: olhem eu aqui! Conheço milionários que têm com o dinheiro uma relação discreta. Claro que moram bem, viajam, possuem um bom carro, mas não ostentam, não botam seu dinheiro no sol pra brilhar e ofuscar os outros. O dinheiro tem que ser elegante como o seu dono. Ninguém precisa lidar com o dinheiro como se fosse um bicheiro."
Mas deixo claro aqui que não sou contra ganhar dinheiro ou ter dinheiro, não há nada de errado nisso, mas esse objetivo desse ser percorrido de forma equilibrada, pois antes de termos uma carreira, nós temos uma vida... Somos pais, mães, filhos, irmãos, amigos...