| Fotos: Arquivo Pessoal |
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| Enxadrista com o uniforme do Minamoto Chess Japan, que leva as cores do Brasil |
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| Minamoto (segundo da esq. para dir. na fileira da frente) com outros alunos, professor Paraíba e Dudu Ranieri, em 1992, em Bauru |
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| Minamoto segura troféu junto com os filhos Larissa, Felipe e Fernanda |
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| O enxadrista e a esposa Vanessa, no Brazil Day 2017, em Nagoya, ao lado do vice-consul José Acioli, apoiador do xadrez |
A cidade de Bauru não fronteiras em se tratando de esportes. E essa história é contada diretamente do outro lado do mundo, na "Terra do Sol Nascente", onde o JC foi buscar, em entrevista exclusiva via Internet, Marcos Minamoto, que viveu até os 21 anos no Jardim Marambá. Ele foi parar no Japão, onde faz sucesso como atleta, obtendo medalha de bronze em Mundial na Itália e tendo fundado um clube na cidade de Toyohashi, onde dá aulas gratuitas.
O xadrez mudou a vida de Marcos Minamoto, 42 anos, que chegou ao Japão para trabalhar como imigrante. Mas graças à modalidade que aprendeu no Bauru Tênis Clube (BTC), em 1987, com o hoje falecido professor Edvaldo Bezerra Diniz, o Paraíba, ele conseguiu se sustentar. Por lá conheceu a esposa, com quem teve três filhos. Hoje, ele transfere o que sabe para jovens.
"Eu nasci em São Paulo e fui para Bauru aos sete anos. Considero-me bauruense. Quando eu tinha 11, ganhei do meu tio o meu primeiro tabuleiro. Na época, meu pai viu uma reportagem do JC, onde a jogadora Mitiko Ueti foi campeã paulista e representou o BTC. Logo no dia seguinte meu pai me levou ao clube e conhecemos o professor Paraíba. De lá para cá, nunca mais parei e levo o nome de Bauru e do meu antigo mestre por onde vou", comenta Minamoto.
Ele relata que mora no Japão há 20 anos, onde foi com o objetivo de fazer o "pé de meia", numa época onde vários bauruenses, filhos e netos de japoneses, também partiram com o mesmo objetivo, inclusive sua esposa, Vanessa Massaki Minamoto. Da união vieram os filhos Larissa (que nasceu em Bauru), de 16 anos, Felipe, de 11, e Fernanda, de 8, estes nascidos no Japão.
GRATIDÃO
O ex-enxadrista do BTC disputou vários torneios pelo Brasil defendendo o clube. O currículo de títulos é extenso. Entre eles, o de campeão Paulista Interclubes, Aberto do Brasil, Jogos Estudantis e Jogos Regionais. "Meu ex-técnico, Paraíba, a quem sou eternamente grato, aprendi que simplicidade e a humildade devem estar acima de tudo. Graças aos seus ensinamentos, eu comecei a dar aulas já com 17 anos, no Colégio Anglo, Liceu e Batista", recorda Minamoto.
Aos 22 anos, em 1997, ele desembarcou do outro lado do mundo. Ele conta que ganhava em torno de um a dois salários mínimos da época. "Em 2000, conheci minha esposa, Vanessa, e nos casamos. Só em 2016, 19 anos depois, resolvi voltar a jogar xadrez. E para minha surpresa, conquistei a vaga para o Mundial de Xadrez Amador, realizado em Halkidiki, na Grécia, e fiquei em sexto lugar representando o Japão", revela.
CLUBE DE XADREZ
Com este resultado, Minamoto ficou conhecido na comunidade brasileira no Japão e decidiu realizar um sonho adormecido por anos, o de ter o seu próprio clube de xadrez, o Minamoto Chess Japan. O clube conta com 40 jogadores, sendo 20 deles registrados na Federação Japonesa.
Sua esposa também dá aulas, inclusive para jovens de outras nacionalidades. Tudo de graça. "As aulas são gratuitas e tenho muita ajuda dos comerciantes e empresários brasileiros que patrocinam. Levo o xadrez a eventos, exposições, festas, dou palestras em escolas", ressalta.
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Bronze no Mundial da Itália
Em 2017, Minamoto foi novamente ao Mundial Amador, representando o Japão, na cidade italiana de Spoleto, e conseguiu a medalha de bronze na categoria Blitz (3 minutos 2 segundos por lance). Agora, ele se prepara para os dias 22 a 24 deste mês, onde levará quatro alunos para disputar o Campeonato Nacional Japonês, valendo vaga para o Mundial, que será realizado em Poços de Caldas (MG). Minamoto espera poder voltar ao Brasil e reencontrar os amigos do xadrez de Bauru e a atual equipe BTC/Semel, cujo trabalho foi deixado de herança pelo saudoso Paraíba.
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