Polícia

"Faroeste bauruense": Deco é condenado a 13 anos de prisão

Marcus Liborio e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Jeferson Correa Chaves, o Deco, foi peça-chave de um violento “efeito dominó” de ocorrências

O assassinato de um jovem de 20 anos, em abril do ano passado, culminou em uma série de crimes, transformando a cidade em uma espécie de cenário de filme de “faroeste”. O desfecho para o personagem principal da trama, Jeferson Correa Chaves, o Deco, 23 anos, se deu no final do mês passado, quando ele foi condenado a 13 anos de prisão, após decisão do Tribunal do Júri de Bauru. A defesa do réu afirma que irá recorrer da sentença.

Deco estava preso há pouco mais de um ano. Entre as acusações, está o homicídio de Daniel Rodrigues Soares, morto com seis tiros no dia 8 de abril de 2016, conforme o JC divulgou à época. Dois dias depois do assassinato, Deco continuava foragido e sua irmã, Samantha Chaves Prado, 18 anos, levou cinco tiros em frente à casa de uma amiga, na região do Mary Dota, a três quarteirões de onde ocorreu o primeiro crime.

Gustavo Ferreira Garcia, conhecido como Maranhão, 18 anos, foi acusado, pela própria vítima, de ter disparado contra ela. Embora tenha levado quatro tiros no pescoço e um na coxa, a moça sobreviveu e o caso, portanto, foi registrado como tentativa de homicídio. Já o rapaz que foi apontado como autor do crime fugiu. Ele também foi testemunha do homicídio de Daniel.

Ainda foragido, Deco soube do atentado contra sua irmã e, com medo de que a vingança se estendesse à sua esposa e filhos, “se adiantou”. No dia 5 de maio do ano passado, ele atirou em Ebert Thiago Cortelo Bassoto, 27 anos. O rapaz, que foi atingido por um disparo na região da bacia e sobreviveu, seria o condutor da motocicleta utilizada na tentativa de homicídio contra a irmã de Deco.

CAPTURA

Após fugir da PM, Deco acabou capturado em uma residência que havia invadido para se esconder, no Jardim Mendonça. Ele confessou o crime ao delegado Luiz Cláudio Massa. Disse que havia matado Daniel porque devia R$ 20 mil a ele e não teria condições de pagar, e que vinha sofrendo ameaças de morte.

Na época, Deco também confessou a tentativa de homicídio contra Ebert, justificando que ele teria participado do atentado contra sua irmã e estaria ameaçando sua esposa e filhos.

‘RECORRER’

A advogada de Deco, Jaqueline Komiyama de Freitas, afirmou que irá recorrer da decisão. “Vamos entrar com recurso de apelação, com o propósito de absolvê-lo”, destaca a defensora.

“O juiz deliberou pela pena mínima, de 12 anos, acrescentando um terço da pena (2 anos) por Deco ser reincidente. Porém, como ele confessou os crimes, a pena foi reduzida em um ano e, ao final, ele foi condenado a 13 anos de prisão, em regime fechado”.

A reportagem do Jornal da Cidade não conseguiu contato com o promotor que conduziu os trâmites no julgamento de Deco.

Dias antes...

Além do violento “efeito dominó” decorrente do assassinato cometido em 8 de abril, outra ocorrência policial três dias antes envolvendo Jeferson Correa Chaves, o Deco, ganhou destaque em Bauru, conforme o JC divulgou à época.

Ele foi baleado por um policial militar, após fugir de uma blitz, no bairro Quinta da Bela Olinda. Condutor do VW/Santana, Deco não era habilitado. Ele e uma adolescente de 17 anos foram atingidos, mas não se feriram gravemente.

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