Bauru 121 anos

Retranca 2 grande


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"Dito
Pé-de-Breque"

"Dito Pé-de-Breque" foi, talvez, o tipo mais popular de Bauru. Perambulou pelas ruas da cidade durante muitos anos. Viveu bastante. E bebeu álcool bastante. Às vezes era briguento, desordeiro. Antes de entrar numa briga, blasonava que sabia jogar capoeira. Era de estatura mediana e possuía olhos empapuçados. Assíduo frequentador de bares e botequins.

Dormia, todas as noites, em catacumbas velhas, abandonadas e semi-destruídas do cemitério principal da cidade. A noite, o campo santo era de seu inteiro domínio.

Quando alguém perguntava se não tinha medo de assombração, de almas de outro mundo, respondia com desdém:

- Que assombração! Besteira! Eu nunca vi essa coisa!

Conta-se que, pela madrugada, quando começam a surgir, nas ruas, os primeiros transeuntes, "Dito Pé-de-Breque" teve, certa vez, vontade de fumar, mas não possuía fósforo. Debruçou-se no muro do campo santo e, nesse momento, ia passando um padeiro com a carrocinha. Ele gritou:

- Oh, padeiro! Me arranja um fósforo aí!

Aquela voz esquisita, saída de dentro do cemitério, naquela madrugada escura, provocou medo terrível no padeiro, que fustigou o cavalo e saiu apavorado, numa desabalada carreira. O homem pensou que se tratava de um fantasma...

Muitos casos são contados a respeito de tal figura singular. Certo dia, apareceu, no centro da cidade, envergando um terno de casimira já usado, mas em bom estado, uma camisa branca, um sapato novo e uma gravata com laço impecável. Estava com os cabelos cortados e barbeado. Andava com aprumo. O fato chamou a atenção dos transeuntes. Um perguntou:

- Dito! Quem te deu essa bela fatiota?

Fez um sorriso e respondeu com ar de mofa:

- Foi um idiota. Qualquer dia ele vai me dar uma de suas filhas em casamento...

"Dito Pé-de-Breque" foi uma figura popular esfuziante nas ruas, praças, bares e botequins da cidade.

Uma coisa singular e interessante: gostava de comer carne crua dada pelos açougueiros da cidade.

Morreu há poucos anos e foi sepultado cemitério da Saudade, numa das campas abandonadas, onde ele havia dormido durante tantas e tantas noites. Foi homenagem comovida prestada pelo então prefeito Avalone Júnior.

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