Articulistas

Por uma segunda manhã aos domingos

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Acordar, ler o jornal, ir pra feira. Pastel e vinagrete no copinho de café. Ao lado, frasco com pimenta decorando a mesa. Suco de caju (o néctar, na verdade) produzido no interior do interior de um Estado que esqueci o nome. E sentir, na proteção da barraca coberta, o fluxo de pedestres ao lado (pra lá e pra cá, gente que se vê da cintura pra baixo).

Gente apressada no dia sem pressa: só faz sentido na feira. Se for com criança, prepare-se: os spinners brotam em cada canto. Há uma criação de spinners que passa a semana sendo preparada para ganhar vida no domingo e atacar o seu bolso. Isso quando o carregamento não é interceptado numa estrada qualquer. Um rolo na feira.

Mas isso tudo é antes das 10h. Porque, dali, partiu Padilhão. Melhor que spinner: tem coisa menos estressante do que chegar com o primeiro do jogo do Amador em andamento e sequer saber o nome dos times? Se sai gol pra um lado, vale comemorar. Se sai pro outro, também.

Mais um pastel está ali ao lado para servir de tentação, mas já estamos abastecidos, não é mesmo? E quando a bola vai parar na Bernardino é o momento para espiar o celular - talvez o maior intervalo de tempo sem consultá-lo desde a segunda (sem feira e sem Padilhão).

O fim da manhã ainda reserva a fila cheia de vida da comida, vejam só, perto do cemitério. Onde se petisca antes de comprar. E até caipirinha (em copinho de café) chega de brinde. Torresmo atenta, a conversa aumenta, mas a tarde ensaia sua pressão.

Comprovado: precisamos de duas manhãs num mesmo domingo. Não dá para fazer tudo com uma só. Bela troca: sai uma tarde arrastada, entra a segunda manhã ativada. Porque ainda falta a caminhada, o café, outro suco. O pão, a TV, o passeio com o cão. A missa, o bosque, o Zoo. O Botânico, a volta no Vitória, o Aeroclube... Lançada a campanha "Por Uma Segunda Manhã aos Domingos". Só ela poderá unir Centro e Zona Sul. Saúde e exagero. Bate-perna e pernas pro ar. Acorda. Concorda?...

O autor é editor executivo do JC

Comentários

Comentários