A informac?a?o sobre a juventude tem priorizado a um recorte da realidade, mas, frequentemente, sonega o outro lado: o luminoso e construtivo. O crescimento dos casos de aids, o aumento da viole?ncia e a escalada das drogas castigam a juventude. A crise econo?mica, drama?tica e visi?vel a olho nu, exacerba o clima de desesperanc?a. Para muitos jovens, os anos da adolesce?ncia sera?o os mais perigosos da vida.
Mas olhemos, caro leitor, o outro lado da realidade. Verdadeiro e factual, embora menos noticiado por uma mi?dia obcecada pela si?ndrome da informac?a?o sombria. A juventude, ao contra?rio do que fica pairando em algumas reportagens, na?o esta? ta?o a? deriva assim.
Ha? em andamento profundas e positivas mudanc?as comportamentais. O relacionamento descarta?vel vai sendo substitui?do pelo sentido do compromisso. A juventude real, na?o a desenhada por certa indu?stria cultural que vive isolada numa bolha ideolo?gica e de costas para a realidade, manifesta uma procura de firmeza moral, de valores familiares, e?ticos e ate? mesmo religiosos. Na?o e? uma opinia?o. E? um fato.
A fami?lia, na?o obstante sua crise evidente, e? uma forte aspirac?a?o dos jovens. Mesmo os jovens que convivem com a viole?ncia dome?stica consideram importante a base familiar. A relac?a?o no lar e? fundamental, ainda que haja conflito.
Parece paradoxal, mas e? assim. Eles acham melhor ter uma fami?lia danificada do que na?o ter ningue?m. Os jovens, em numerosas pesquisas, apontam a fami?lia tradicional como a instituic?a?o de maior ascende?ncia em suas deciso?es.
Alguns, no entanto, defendem um modelo de fami?lia que na?o bate com esse anseio dos jovens. Respeito a diverge?ncia e convivo com o contradito?rio. Sem problema. Mas na?o duvido que e? na fami?lia, na fami?lia tradicional, mais do que em qualquer outro quadro de convive?ncia, que podem ser cultivados os valores, as virtudes e as compete?ncias que constituem o melhor fundamento da educac?a?o para a cidadania. E os jovens sabem disso.
No campo da afetividade, antes marcado pelo relacionamento descarta?vel e pela falta de vi?nculos, vai-se impondo a cultura da fidelidade. O tema da sexualidade, puritanamente evitado pela gerac?a?o que se formou na caricata moral dos tabus e das proibic?o?es, acabou explodindo, sem limites, na si?ndrome do relacionamento promi?scuo e transito?rio.
Agora o rio esta? voltando ao seu leito. O frequente uso de alianc?as na ma?o direita, manifestac?a?o visi?vel de compromisso afetivo, na?o e? so? modismo. Revela algo mais profundo. Os jovens esta?o apostando em relac?o?es duradouras.
Assiste-se, na universidade e no ambiente de trabalho, ao ocaso das ideologias e ao surgimento de um forte profissionalismo. Ao contra?rio das utopias do passado, os jovens acreditam na excele?ncia e no me?rito como forma de fazer a verdadeira revoluc?a?o. Eles defendem o pluralismo e o debate das ideias. O pensamento divergente e? sauda?vel.
O mundo esta? mudando. Quem na?o perceber – na mi?dia e fora dela – essa virada comportamental perdera? conexa?o com um importante segmento do mercado de consumo editorial.
O autor é jornalista. E-mail: difranco@ise.org.br