Tribuna do Leitor

A roubalheira que destroçou um partido

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 3 min

Ao conquistar a Presidência da República, Lula era o portador de grandes esperanças, inclusive a de que fizesse um governo intransigente com o desvio de verbas públicas.

"O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública.", disse Lula em seu discurso de posse, no Congresso, em Janeiro de 2003. " Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar. É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos focados em resultados sociais concretos", acrescentou.

As promessas de ética extrema estiveram nos discursos de todos os cardeais petistas:

"Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente." - Ex-Presidente Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2011.

"Aprendi com meu pai que na vida o mais importante são os valores éticos e os valores morais, e o mais importante é o Brasil". Ex-ministro José Dirceu, em 2 de janeiro de 2003.

"Trabalhei dentro da mais estrita legalidade, respeitando rigorosamente os padrões éticos que se impõem aos homens públicos". Ex-Ministro Antonio Palocci, em 6 de Junho de 2011.

Agora, Lula e seus colegas do PT estão atrás das grades ou lidam com processos judiciais justamente por "roubar e deixar roubar". A sentença do Juiz Sergio Moro é outra peça nesse processo da desconstrução da imagem do partido.

Os petistas jamais admitiram a lama em que se jogaram no mensalão, no petrolão e em outras criminalidades nos governos do PT, e eles sabiam que não havia lisura na cena pública, tanto sabia que prometia fazer um trabalho limpo, e deu no que deu.

Para nenhum outro partido do país o efeito da Lava Jato foi, até agora, tão devastador como para o PT: nos últimos três anos, foram presos três ex-ministros, um ex-líder do governo no Senado, um ex- vice-presidente da Câmara e dois ex-tesoureiros, entre demais integrantes da legenda. Alguns são réus, outros condenados, ao todo, mais de trinta petistas estão na mira de diversos inquéritos em andamento em Brasília, Curitiba e São Paulo.

É um cenário altamente desmoralizador para um partido que se dizia ético. A própria presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, é investigada por suspeita de que suas campanhas terem recebido milhões de reais, desviados da Petrobras e Odebrecht. O marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo, também é réu em dois processos da Lava Jato - chegou a ser preso, em junho do ano passado, suspeito de ter feito parte de um esquema que drenou 100 milhões de reais do Ministério do Planejamento.

A roubalheira petista não só destroçou o partido como arranhou a própria esquerda de um modo geral, em vez dos 175 milhões de reais desviados do caso do mensalão, o dinheiro surrupiado da Petrobras chegou à casa dos bilhões de reais, que sustentou o PT e fez fortuna de gente graúda.

Está tudo aí divulgado pela imprensa, por isso, é muito conveniente simplesmente culpar a "cultura do fisiologismo" ou dos vícios da "política tradicional", ou se declarar inocente. Lula, Dilma, Dirceu e Palocci estão aí para prová-lo, o bando que aniquilou o seu partido e o país.

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