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A dinâmica do emprego

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Sem dúvida alguma somente poderemos afirmar que o Brasil saiu da recessão quando o emprego voltar de maneira contundente. Dados mais recentes apontam uma taxa de desemprego de 13,3%, o equivale a aproximadamente 14 milhões de pessoas.

No tocante a geração de empregos, o mês de junho apontou para um saldo positivo de 9.821 vagas (1.181.930 contratações contra 1.172.190 demissões). Novamente a agropecuária foi determinante para apurar este saldo. Demais setores da economia ainda patinam.

Costumo utilizar a montanha russa para explicar a dinâmica do emprego e desemprego: enquanto os carrinhos da montanha russa são lentos na subida e velozes na descida, o desemprego sobe rapidamente e cai lentamente. É o que observaremos na economia brasileira daqui para frente.

É fato que há elevada capacidade ociosa tanto no setor secundário (setor industrial) como no setor terciário (comércio e serviços). Com isso a perspectiva é que as empresas, mesmo que sintam a recuperação do mercado, que continua lenta, utilizarão dos recursos existentes para maximizar seus resultados.

Tentarão com a equipe atual atender a este eventual incremento de vendas, até que tenham certeza que o mercado virou. Aí sim voltarão a contratar mais fortemente. Ainda dentro da dinâmica do emprego é importante entender o conceito de desemprego. Cito isso à medida que sem este entendimento as contas não fechem. A taxa de desemprego é calculada levando em conta a População Desocupada (PD) dividindo este número pela População Economicamente Ativa (PEA - compostas por empregados e desempregados).

Por desocupados entendem-se as pessoas que estão fora do mercado de trabalho e fizeram algum esforço para encontrar um emprego nos últimos 30 dias. Para apurar este montante o IBGE realiza pesquisa nas principais capitais do Brasil. Aqui cabe uma observação importante: se a economia der sinais de recuperação, muitas pessoas se sentirão motivadas a voltar para o mercado de trabalho, portanto, se pesquisados, poderão responder que fizeram algum esforço nos últimos 30 dias em busca de emprego e engrossarão o número de desocupados. Se isso ocorrer em grande quantidade, é possível que a taxa de desemprego aumente.

Então devemos ficar de olho em qual número? No saldo de geração de empregos. Será este número e não necessariamente a taxa de desemprego, que demonstrará se a economia brasileira está em recuperação ou não. Como gerar este saldo positivo? Com crescimento econômico. É tão simples como isso. Se o Brasil estivesse crescendo de maneira consistente na casa dos 4 a 5% ao ano, não mais que isso, boa parte das discussões presentes, como o baixo investimento, o déficit nas contas públicas, o rombo na previdência, entre outras, ficaria mais brandas e seriam mais preventivas do que corretivas.

Agora, se combinarmos a recuperação da economia com os avanços da reforma trabalhista, este número de trabalhadores ocupados poderá crescer em proporção superior à verificada em outras retomadas do crescimento, à medida que a flexibilização ali introduzida, permitirá alterar a dinâmica desta montanha russa que opera neste particular no sentido contrário a montanha russa dos parques de diversão.

Entendo que passou do momento dos discursos populistas, das soluções fáceis, do receio das mudanças e da análise casquinha, artificial.

Se os indicadores da economia não forem analisados em sua magnitude, com entendimento claro de sua metodologia, a emissão de juízo de valor para quem analisa tudo isso artificialmente em nada contribuirá para ampliar o conhecimento da população e somente gerará energia negativa, tudo que não precisamos nesse momento.

A economia é dinâmica e é assim que devemos entende-la para impactar em nossas vidas.

O autor é economista e articulista do JC

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