Política

A cada 11 dias, uma adutora rompe

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

DAE/Divulgação
Reparo em adutora na rua Saldanha da Gama, em junho: Vila Falcão teve 4 registros do problema neste ano

Em média, a cada 11 dias o Departamento de Água e Esgoto (DAE) registrou o rompimento de uma adutora em Bauru, entre janeiro e julho deste ano. De 1 de janeiro até ontem, são 17 casos. O levantamento foi feito pelo JC, com base em dados fornecidos pela própria autarquia, que comunica à imprensa cada vez que o problema ocorre, pois gera o desabastecimento de regiões inteiras da cidade. Para sanar ou ao menos reduzir as ocorrências, a setorização da rede de água é uma alternativa importante e que pode começar a sair do papel em 2018.

Nessa sexta-feira (21), a situação foi registrada novamente, em uma adutora na altura do km 346 da Marechal Rondon. O rompimento prejudicou cerca de 10 mil pessoas no Núcleo Gasparini, Jardim Helena, Vanuíre, Jardim TV, Jardim Marília e Vila Garcia. O problema foi detectado pelo DAE no começo da tarde. O conserto da adutora terminou por volta das 18h e o abastecimento de água nos seis bairros afetados já foi restabelecido.

O presidente do DAE, Eric Fabris, diz que vários fatores contribuem para a repetição do problema. "Temos várias adutoras antigas, com material mais desgastado. E nessa época de frio, as que são de metal sofrem mais com a contração e dilatação, favorecendo rupturas. O que estamos procurando fazer é agir com rapidez sempre que o problema é registrado", afirma.

CAMPEÕES

A região oeste concentra o maior número de rompimentos neste ano. A Vila Falcão foi o bairro que mais teve casos: quatro ao todo. A adutora que passa pela rua Saldanha da Gama, inclusive, apresentou problema duas vezes, uma em março (quadras 4 e 5) e outra em junho (quadra 8).

As outras adutoras do bairro que romperam foram na rua Castro Alves e na avenida Alfredo Maia. Ainda na região oeste, aconteceram rupturas no Jardim Vitória (janeiro) e Jardim Ferraz (junho), totalizando mais de um terço das ocorrências, seis até agora.

A região do Núcleo Mary Dota teve quatro rupturas: em janeiro, no Núcleo Isaura Pitta Garms, em decorrência de erosão provocada pelas chuvas, e depois no próprio Mary Dota, em maio (perto do estádio Toninho Guerreiro) e no Bela Olinda, em junho. Houve ainda rompimento de rede distribuidora de água na Vila Santa Luzia, em julho.

Na região noroeste, o Bela Vista teve um registro, em março, na rua Primeiro de Maio. Essa adutora, contudo, já teve outras rupturas, em diferentes pontos da via.

E na zona norte, dois casos, sendo um na Vila São Paulo, em abril, e o de ontem no Gasparini. Por fim, os demais foram na avenida Comendador Martha, em janeiro (adutora que leva água da ETA para a zona sul), no Distrito Industrial II (fevereiro), no Tangarás (abril) e na adutora de recalque do poço Samambaia (zona sul), em abril, durante obras de pavimentação de uma via.

Setorização ajudará

Para o presidente do DAE, apenas a setorização vai reduzir o problema. "Já estamos fazendo um estudo para implantar a setorização no Bela Vista, que é um bairro antigo, e a pressão é alta na parte baixa, o que favorece vazamentos e rupturas. Isso vai demandar um investimento elevado, mas ainda não temos o valor definido", relata Eric Fabris. "Por ser algo caro, não foi feito até hoje, mas temos que começar", aponta.

A autarquia pretende reservar R$ 2 milhões no Orçamento de 2018 para iniciar o trabalho de setorização. "A prioridade é fazer no Bela Vista, que em anos anteriores teve um índice alto de registros. A setorização vai permitir uma redução da pressão da água, sem causar problema de abastecimento. Depois, queremos fazer o mesmo na região do Jaraguá e Santa Edwirges, até aproveitando que as ruas ainda são de terra, não vai precisar quebrar o asfalto, mas precisa ser antes do PAC, até o ano que vem", destaca.

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