Muito se fala em acessibilidade e mobilidade, mas nas periferias e até no centro da cidade não há um mínimo de infraestrutura para os deficientes físicos.
Ela parou em frente a uma doceria, que exibia em sua vitrine várias delícias: bolos, doces, salgados, tudo muito bem exposto, despertando a atenção de quem passa em frente à loja. Aí começa o seu drama: a loja, assim como muitos dos estabelecimentos comerciais, não dispõem de acesso a pessoas com mobilidade reduzida e esta apresentava um degrau que impossibilitava o seu acesso à loja.
Ela chamou uma atendente e disse que gostaria de provar um doce, mas como não dava para entrar, pediu que lhe trouxesse seu pedido, e iria comer ali fora mesmo, pois a loja estava lotada e a cadeira de rodas iria atrapalhar os outros clientes. Eu estava ali em frente e, ao ouvir isso, prontamente pedi para a atendente da loja segurar a cadeira de um lado e eu peguei do outro lado, erguendo-a e colocando-a para dentro da loja. Ela nos agradeceu entusiasmadamente, exibindo um largo sorriso. Aproveitei para conversar um pouco e saber das dificuldades de um cadeirante e ela me explicou que é impossível andar pelas ruas sozinha, são vários obstáculos, não há acesso para cadeirantes em nenhum lugar.
Transporte coletivo urbano: ônibus dispõem de elevadores, mas muitos estão quebrados e em alguns falta cinto de segurança. Também é muito difícil chegar até o ponto com calçadas esburacadas, postes e uma série de obstáculos pela frente.
Ele também reclama da pouca quantidade de rampas. "As rampas já são poucas, não são todas as esquinas que têm e nas que têm geralmente tem carro parado atrapalhando. Falta educação, fiscalização, falta punição".
Um bom exemplo desta realidade aqui em Bauru é a calçada da rua Gustavo Maciel entre a Batista de Carvalho e a Primeiro de Agosto. Quem tiver de fazer este trajeto, é só pelo meio da rua dividindo espaço entre os carros, pois cadeirantes não passam por ali. A calçada está tomada por ambulantes e barracas, um comércio a céu aberto e a prefeitura nada faz diante desta situação que tem anos e anos por todos os lugares no centro da cidade. O direito de ir e vir não existe nesta calçada.
Estacionamento: mais uma dificuldade. As vagas reservadas para deficientes em estacionamentos que existem na cidade não são respeitadas até mesmo por familiares. Há quem usufrua da vaga sem estar acompanhado por um deficiente, como há aqueles que não estão nem aí e deixam o carro estacionado o dia inteiro tirando a vaga de quem precisa.
Os obstáculos surgem também no mercado de trabalho. A Lei de Inclusão Social? Pois é, grandes empresas usam artifícios como uma liminar para não pagar multa e desta forma também não contratam.
OBS: cabe ressaltar que acessibilidade não é algo de que se fala, mas algo que deveria ser concretizado e vivido continuamente pelas pessoas.
É uma questão de cidadania e o Estado tem o dever de zelar por isso.