Tribuna do Leitor

Arear as panelas

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas coisas caem de moda e, em tempos modernos, impera ainda mais a efemeridade das coisas.

Cantor de uma música só, sucesso relâmpago muito mais rápido do que se foram os formatos de gravar e reproduzir sons, primeiros os LP's em rotações diferentes, depois os CD's e hoje com os pen drives quase obsoletos, pois já existem outras formas de se armazenar músicas e se ter o prazer que elas podem nos dar.

Mas deixando as sonoridades das boas e das más músicas, mesmo porque sabemos que o bom ou ruim é relativo. Mas o que vemos também nesse mundo novo são as mudanças de costumes, onde fica bem claro a relatividade dos valores, onde, entre outros fatos, o bom mocismo, por exemplo, segue perdendo gradativamente a força, e se tornando para a maioria o chato, o desinteressante, cabendo agora aos vilões os principais papéis, seduzindo com a mudança, mais que "os politicamente corretos", embora esse termo tenha hoje um significado oposto do que se queria dizer.

Olhemos, então, para a loucura que caminhamos, ser ético não combina nada com negócios e com sucesso, vendo-se, assim, um paradoxo criado, ao termos que escolher morrer abraçados aos velhos preceitos da moral ou viver o sucesso esquecendo velhos ensinamentos. Ficar a ver o mundo (dourado) partindo sem estarmos a bordo, relegados a um banco de espera, por um possível tardio embarque, contando-se com pura sorte que poderá advir.

Arear panelas é outro ato que ficou para trás, que seria o ato de limpar o fundo das panelas com areia. O atrito da areia com os fundos pretejados pela lenha dos fogões é um recurso que, em tempos de panelas elétricas e "Airfryer", ficaram em um passado muito distante, apesar dos tempos de alimentos muito mais saudáveis que hoje em dia também vão se distanciando de nossas mesas, pelo mais rápido e pela praticidade, tempos dos fast foods, na produção no campo, que hoje também não é mais sinônimo de pureza. E ficando as antiquadas panelas mantidas quase que somente para se fazer ouvir, como instrumentos para protestar, protestos esses que, nos últimos propostos, culminaram mais como um tiro nos próprios pés, pois as batatas que pareciam estar assando, ainda continuam cruazinhas, certamente por falta de fogo por debaixo das panelas, e também da avidez por bons chefs.

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