Tribuna do Leitor

Trem Noturno

anderley Brosco - chefe geral de estação - aposentado
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Chegam festas juninas: primeira quermesse sem volta do "noturno". Havia no ar densa nostalgia.

Balões multicores, desprovidos de tochas, subiam ao céu, indecisos e afogavam-se nas brumas.

Foguetes riscavam o ar...  procurando...    Ninguém sabia o quê; desenhando caminhos... Ninguém sabia para quem; busca-pés corriam pelo chão atrás, talvez, de perdidos sonhos; lábios escarlates desfolhavam sorrisos; olhares tinham brilho de astros e umidade de prantos.

Evoluíam afetuosas lembranças. Dos arcanos da mente, os pensares cativos se escapavam; dos corações, incautas paixões fugiam e andavam às soltas pela noite silente subvertendo as sombras.

Fazia frio quando a festa chegava ao seu final. E como eu estava triste, o frio parecia mais frio.

E ao apagar-se a fogueira, ressurgia das cinzas do passado a nostálgica locomotiva de tração a vapor, com aquela fumacinha branca: envolvendo a noite num acentuado aroma de saudade.

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