Executivos, com vasta experiência profissional, dizem que "apagam" tudo que viveram nas empresas anteriores. Vivem o hoje com muita intensidade, quase sem olhar para o passado. Afirmam, com certo orgulho, que deletam experiências vividas, principalmente as ruins. Acreditam na importância de sempre começar de novo e vão embora na busca da "maré" favorável e da valorização profissional. Gostam da frase de Clarice Lispector: "Superar é preciso. Seguir em frente é essencial. Olhar para trás é perda de tempo. Passado se fosse bom era presente." Sempre é sinal de retrocesso os gestores dizerem coisas do tipo: "na empresa em que trabalhei antes a equipe reagia muito bem", "no meu tempo de training o pessoal era mais esforçado". De fato, olhar para trás é perda de tempo. Melhor é seguir em frente repetindo as experiências anteriores que deram certo, com boa dose de inovação e todo cuidado com a contextualização do cenário atual.
Em algumas empresas os profissionais se aposentam e continuam frequentando, regularmente, o ambiente. Procuram manter a sala com livros e computadores, administram os "seus" laboratórios de pesquisas conseguidos através de projetos de fomento, enfim, permanecem trabalhando, agora na condição de colaboradores. Isso, às vezes, provoca críticas do pessoal da ativa que, impiedosamente, diz: "- Pô! esse cara não sai daqui! Pensa que todo mundo está aposentado como ele. E, pior, vem e quer toda atenção. "
Como na brincadeira infantil "Morto/Vivo" - em que o líder ao dizer "morto", todos agacham ou "vivo" e todos ficam de pé; é eliminado quem não cumpre a ordem, até sobrar um só participante, que será o vencedor e o próximo líder -, no mundo empresarial sobrevivem os melhores. São observados pelo mercado, que os convidam para começar tudo de novo, com melhores salários e muito respeito. Ótimo para os "vivos"! Isso também acontece com bons executivos aposentados que, constantemente, são "tentados" com generosas ofertas salariais, pelas suas qualificações profissionais e experiências acumuladas ao longo de muitos anos.
O início de carreira ou numa fase crítica da vida - como no auge das despesas para formar os filhos - são os mais complicados para os profissionais, pela falta de opções e os riscos que envolvem novas aventuras. Além de desenvolverem as atividades com todo empenho, se obrigam a suportar superiores, muitas vezes desumanos - que se aproveitam de suas necessidades e fragilidades -, e, com medo de fracassarem em novos cenários, se submetem - "engolem sapos" - para não comprometerem o sustento do lar.
Há chefes para tudo e todos: uns se dizem humanistas - buscam agradar "gregos e troianos", se agarram ao cargo sendo "bonzinhos" e omissos, são incapazes de "matar uma barata" - fazem a gestão do "poste" onde cobras e lagartos mandam; outros são rudes - não poupam ninguém com suas indelicadezas - e fazem uma gestão do medo e das ameaças; outros são legalistas e fazem terrorismos jurídicos - nada pode pela lei, tudo é proibido - e acabam travando a gestão em nome de um "juridiquez" exacerbado; outros são centralizadores e saudosistas - façam o que mando porque sempre fiz assim e sempre deu certo - e se esquecem que o mundo girou mais de meio século depois disso; a maioria, felizmente, é equilibrada e trata os colaboradores com respeito, educação e cordialidade, mas exigem que cumpram os seus deveres e busquem os resultados esperados - têm cuidado com o excesso de metas pois sabem que elas podem levar para o ralo muitos valores.
Atenção especial também deve ser dada para o desastre do "duplo comando" que pode se tornar um caos na gestão da empresa - as missões e valores têm que ser únicos, senão acontece o pior. Os bons profissionais sempre têm excelentes oportunidades, nas empresas ou fora delas, com a devida e constante promoção por meritocracia, sem necessidade de bajular os superiores.
A última experiência profissional sempre é a mais lembrada, porém, a atual é a que exige maior atenção. Como os trabalhos espalham seus benefícios, primeiramente para quem os desenvolvem, é natural que os executivos tenham dedicação exclusiva nas empresas que atualmente estão saneando ou construindo, afinal, são retratos do que fazem e de como o fazem. De fato, não adianta ficarem remoendo, com rancor ou saudosismo, histórias vividas. Se, no passado, fizeram um trabalho decente e produtivo, foram remunerados para isso. Agora, o melhor é viverem o hoje com a sensação de estarem fazendo o necessário, depois o possível e verem, de repente, que o impossível pode acontecer, conforme diz São Francisco de Assis. Bom mesmo é seguir em frente, sem nenhum apego ao já vivido, além da gratidão pela confiança e boa amizade dos amigos.