O quociente de inteligência intelectual, o famoso QI, foi o vetor da educação tradicional. Ele inspirou os métodos de ensino/aprendizado, com vistas a fazer da criança um acervo ambulante de informações e dados, memorizados mediante estratégias discutíveis, mas que imperaram durante muito tempo. Só recentemente se procurou focar uma outra vertente. A "inteligência emocional", que redefiniu o que é ser inteligente. Sentir as emoções é que faz a diferença. Muito mais importante do que "ter uma cabeça cheia, é urgente possuir uma cabeça bem feita". Ou seja: uma consciência crítica, suficientemente capaz de filtrar as informações e de fazer uso inteligente delas.
O autor do livro "Inteligência Emocional", Daniel Goleman, diz que quatro princípios básicos são satisfeitos em pessoas emocionalmente inteligentes: traquejo social, autoconhecimento, empatia e, acima de tudo, perseverança. Será que isso é suficiente? Se apenas 20% do sucesso da pessoa depende do quociente intelectual - o QI - não significa que os 80% restantes sejam preenchidos exclusivamente pela inteligência emocional. Há muitos outros fatores que importam, como formação, apoio da família, até mesmo sorte.
A inteligência emocional pode representar cerca de 45% do êxito de uma pessoa em sua vida. O teste de QI foi inventado em 1900 na França por Alfred Binet, mas hoje se mostra insuficiente para avaliar o sucesso. O QI elevado não é automaticamente responsável pela obtenção do melhor resultado. Tudo tem de começar com o autoconhecimento, mais uma vez invocada a lição atribuída a Sócrates do "conhece-te a ti mesmo".
O primeiro passo é saber o que afeta, o que irrita, o que estimula, o que agrada e o que causa ira. Inteligência Emocional é um conjunto de competências emocionais - eu comigo mesmo - e sociais - eu com os outros. Competência nada mais é do que conhecimento - saber - habilidade - saber fazer - e atitude - fazer. A vida reclama que façamos, sejamos e vivamos.
Procuremos nos conscientizar de que a chave para a transformação interior e exterior está dentro de nós e só nós mesmos é que sabemos como manejá-la. O melhor mestre conseguirá pouco se não houver abertura interna e verdadeira, vontade inabalável de aprender e de se tornar uma pessoa a cada dia melhor.
O autor é secretário de Estado da Educação