Regional

MST permanece em fazenda de amigo de Temer em Duartina

Gabriela Sá e Felipe Bächtold
| Tempo de leitura: 2 min

Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que invadiram a fazenda do coronel João Baptista Lima, amigo do presidente Michel Temer (PMDB), em Duartina (38 quilômetros de Bauru), dizem que vão permanecer no local até o dia 2 de agosto. Nesta data está prevista a votação pela Câmara da denúncia contra o peemedebista, depois eles prometem sair pacificamente.

Os sem-terra aguardam, para qualquer momento, a chegada da Polícia Militar para cumprir o mandado de reintegração de posse. A Justiça determinou a saída imediata do grupo ainda na terça (25) - o que não aconteceu. No fim da tarde dessa quarta-feira (26), a PM foi até o local notificar os manifestantes.

Segundo a Polícia Civil, um agricultor arrendatário das terras registrou boletim de ocorrência informando o furto de quatro cabeças de gado, que teriam sido abatidos para alimentar os acampados. A ocorrência, segundo o MST, é uma tentativa de incriminar a ação na fazenda e que o gado foi doado.

Cerca de 800 militantes - agricultores usando bonés vermelhos do MST - dormem na propriedade, em barracas de camping ou em colchões no galpão de máquinas.

As paredes foram pichadas com frases como "Fora, Temer" e "Corruptos, devolvam nossas terras" - lema desta série de invasões em que o movimento social concentrou suas ações em fazendas de políticos denunciados por suspeita de corrupção. A defesa de Lima afirma que aguarda o cumprimento da ordem judicial. A reportagem apurou que o coronel não visita mais sua fazenda há pelo menos dois meses, mas que telefonou na terça para a polícia de Duartina, para se informar sobre a ocupação.

INDENIZAÇÃO

Lima Filho cobra na Justiça R$ 505 mil de integrantes do MST por supostos prejuízos que teve com a ação do movimento em sua fazenda em 2016.

Lima Filho, que está sendo investigado em desdobramento da delação da JBS, apresentou queixa-crime contra três membros do movimento que participaram da ação no ano passado e que diz ter identificado. A Justiça aceitou e recebeu a ação em junho deste ano.

Os R$ 505 mil, segundo a defesa do coronel, são referentes a depredações e furtos ocorridas na propriedade, batizada de Fazenda Esmeralda, ao longo de cinco dias de invasão, ocorrida em maio do ano passado, em meio à posse de Temer na Presidência.

Ele sustenta que uma carabina foi furtada durante a ação dos sem-terra e que 41 das 338 cabeças de gado na fazenda sumiram, entre outros danos. Segundo os funcionários e um arrendatário da área, os sem-terra, na invasão de 2016, mataram reses a tiros e aproveitaram a carne em "churrasqueiras improvisadas" em diversos pontos da propriedade.

Um irmão de Lima Filho, Josué Lima, 72, se apresentou como administrador da fazenda e também negou relação da propriedade como Temer.

A advogada Lorana Prado, que atua para o MST, nega as acusações de dano ao patrimônio e diz que os proprietários rurais historicamente fazem queixas de depredação e furto após as ações dos sem-terra para "denegrir o movimento".

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