Tribuna do Leitor

Agudos

Por Wanderley Brosco - chefe geral de estação EFS | FEPASA
| Tempo de leitura: 2 min

É de manhã quando chegamos ao portal do "Sítio J U B" onde existe a figura de um trem, num quadro de pintura a óleo, em homenagem ao sistema-ferroviário. Daqui do alto a vista panorâmica é pródiga: envolvendo núcleos de pastagens e a extensa floresta que se estende até a linha do horizonte.   

Bandeirinhas multicores movimentam-se alegremente, como nos dar boas vindas.

Por sua vez as palmeiras líricas de palmito, que emolduram a fachada da sede da querência, estão com seus ramos a balançar suavemente: em compasso de brisa leve. Aqui o ar é mais fino e com fragrância silvestre; as coisas sonham desenhando vagos ruídos vindos do riacho e da mata fechada.

 Por um momento a gente pensa viver assim afastado de poluição e fora de toda agitação-vã para pensar com mais sossego na Vida.

Mas é festa na roça  e começa chegar amigos! Um testa a aparelhagem de som; outro as bombas de chopes; um acomoda as mesinhas no gramado; outro prepara churrascada.

Encerrado o torneio de truco, agora que o Sol já se escondeu do outro lado do horizonte, as atenções se voltam para o casamento caipira. Os padrinhos procuram apaziguar a "noiva" ante a demora excessiva  "do noivo" que, finalmente chega, trajando  terno riscado, sobraçando um guarda-chuva e, pomposamente, instalado no dorso de um burro enfeitado.

Após a cerimônia matrimonial: morteiros coloridos povoam o céu; "espanta-coiós" passam em desabalada carreira, apenas riscando a noite: sem produzir estampido algum. E o médico-cardiologista João Urias Brosco, anfitrião da festa, no alto-falante avisa: "haverá prêmio inclusive para quem der mais risada no salão."

E a dança de quadrilha é seguida de animado "arrasta-pé."

 Muito chope, churrasco, pipoca, canja de galinha e eu dormi; porém no sonho havia muitas vozes, ruídos de copos e músicas.

Ergui-me, fui até a varanda, já era madrugada: todos já haviam partido.

Sobre o nascente, onde a barra do dia era uma esperança de luz, havia nuvens espalhadas em várias direções, como se durante a noite o vento tivesse dançado no ar. Depois, pouco a pouco, foi se acendendo uma aurora  radiante. Eu ouvia a pulsação de um motor, ao longe...

 Em seguida o veículo avançou a subida do canavial, a ponte do córrego e mergulhou na amplidão da floresta.

A pulsar como um fiel coração.

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