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Sem chuvas, município tem julho mais seco desde 2008

Ana Beatriz Garcia, Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Julho em Bauru não teve nem uma gota de chuva sequer, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp. Apesar de este ser tipicamente um mês seco, fato semelhante não ocorria desde 2008. E o tempo seco não é exclusividade de Bauru, uma vez que a Capital teve o julho mais seco dos últimos 9 anos. Com a estiagem, ocorrências de queimadas apresentam aumento e o organismo também sofre.

Malavolta Jr
Figueiredo diz que não há previsão de chuva até dia 4 de agosto

De acordo com o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, a previsão é de que não chova hoje e de que os primeiros dias de agosto também sejam secos na cidade. "Até o dia 4 de agosto, não há previsão de chuva e as temperaturas se manterão no patamar em que estão agora. Entre 14 e 15 graus pela manhã, chegando até 28 graus no período da tarde", destaca, salientando que não é atípica a queda no índice pluviométrico nos meses de junho, julho e agosto.

Já a umidade relativa do ar, devido à ausência de chuva, também segue baixa. Para se ter uma ideia, registrou mínima de 26,4% em 22 de julho, dia em que a temperatura máxima chegou a 25,9 graus, segundo dados do IPMet. O nível, por sinal, já é considerado estado de atenção (veja mais no quadro no final).

"A Organização Mundial de Meteorologia sugere que o ideal é que a umidade do ar seja de 70% para temperatura de 25 graus. Qualquer coisa fora disso, teoricamente, é desconfortável", ressalta o meteorologista.

CAUSAS

Mas por que esses meses acadam sendo tão secos? Figueiredo explica que os responsáveis pelas chuvas nesse período são as frentes frias e massas de ar frio, principais sistemas meteorológicos que atuam na região durante o inverno.

"Nós estamos com o predomínio de uma massa polar forte que passou por nós, mas ela não dissipa de um dia para o outro quando ela é forte. Então, nós estamos nesse período com a mesma temperatura de manhã e à tarde. A frente fria que passou só causou nebulosidade e não choveu, o que é comum nessa época", explica.

SAÚDE

O clima seco é um "terror" de muitos pais. É que, justamente por conta disso, aumenta a poluição do ar e grupos que ficam mais vulneráveis, como crianças, precisam redobrar os cuidados.

Mas é importante frisar que não são só os pequeninos que precisam se cuidar. Idosos e pessoas que já possuem algum tipo de problema respiratório, circulatórios e ressecamento de pele também devem ficar alerta e tomar toda a precaução possível.

Queimadas em junho mais que dobram em relação a 2016

Aceituno Jr.
Julho segue com vários focos de fogo em mata, como na última 2.ª, nas margens da Água Comprida

A redução da chuva e, consequentemente, a baixa umidade do ar favorecem a ocorrência de queimadas em mata. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Bauru, a quantidade de ocorrências de incêndio em vegetação em junho de 2017 mais que dobrou em relação ao mesmo mês em 2016.

Em um apanhado de janeiro a junho, o número de ocorrências neste ano foi menor que o apresentado no ano passado, segundo levantamento feito pela corporação. "Apesar do número de ocorrências serem menores, o mês de junho apresentou mais que o dobro de focos. No ano passado, atendemos 31 ocorrências e, neste junho, foram 68. A diferença no índice de chuva em junho de 2016, que foi de 94 milímetros, e o de 2017, de 22,4 milímetros, colabora para a quantidade de ocorrências", declara o 1.º tenente Victor Félix Tozi Bonfim, do Corpo de Bombeiros de Bauru.

Os números não discriminam quais ocorreram por causas naturais - quando uma espécie de combustão espontânea faz com que o fogo se inicie e a baixa umidade do ar tem papel fundamental para que isso ocorra - ou provocados pela ação humana. Mas, segundo o tenente Tozi, a maioria dos casos são provocados pelo homem.

 

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