| Aurélio Alonso |
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| Cruzeiro agora pode ser visitado no "Espaço Histórico Plínio Cardia", em Agudos |
Hoje, às 18h, no "Espaço Histórico Plínio Cardia" em Agudos (13 quilômetros de Bauru) será aberta uma exposição sobre São Domingos do Tupá, cidade que desapareceu nas imediações de Domélia. O evento marca oficialmente a abertura à visitação pública do velho cruzeiro removido do antigo cemitério em maio deste ano, depois que os historiadores santa-cruzenses Celso Prado e Junko Sato Prado visitaram o local e perceberam que o cruzeiro estava apodrecendo e prestes a cair.
Os moradores de Agudos vão conhecer de perto todo o processo de restauração da cruz de madeira que agora fica numa das salas, ao lado do altar que pertenceu à igreja e uma imagem de São Benedito, ambas resgatadas antes da antiga igreja ser demolida. O prefeito Altair Francisco Silva, diversas autoridades e colaboradores foram convidados para o evento pela diretora do museu, Marilena Cardia.
Por enquanto o cruzeiro ficará no museu até uma destinação futura como retornar ao mesmo local, onde estão as ruínas do antigo cemitério com pelo menos 200 túmulos ainda espalhadas pela área. O Espaço Cultural funciona das 9h às 17h de terça a sexta e sábado das 9h às 13h.
Os responsáveis assinaram um termo de guarda do cruzeiro, que poderá ser visitado pelo público. São Domingos do Tupá começou a ser povoado, segundo pesquisas de Celso Prado, em 1834. Foi uma espécie de "sentinela e fortaleza" do sertão paulista. A partir de 1850, São Domingos já tinha o título de "comarca eclesiástica" e era o local onde se registravam casamentos e nascimentos de toda a região. Em toda a região, somente Tupá tinha um padre no século XIX.
O memorialista Celso Prado doou a cópia de uma carta ao museu do então padre Francisco José Serodio datada de 15 de março de 1872 com relatos de como era o "último sertão de Botucatu" encaminhada a Justino Carneiro Geraldis. Ela foi fotografada a agora faz parte do acervo do museu.
DECIFRADA INSCRIÇÕES
Com a proclamação da República, o local começou a perder prestígio e no início do século XX, São Domingos do Tupá entrou em decadência e foi desaparecendo ao longo dos anos.
Durante o processo de restauração foram encontradas na parte de trás da cruz as inscrições esculpidas na madeira com as letras "Z.B.Z. I. - B.F.Z.G.F.F.". Numa consulta feita pelo JC, o memorialista fez uma pesquisa preliminar para decifrar o que significa as primeiras três letras: "Zeta Betha Zeta", cujo significado pode ser sepulcrário ou "lugar de sepulturas". Prado acredita que as inscrições fazem referência a dois extremos, no interior da qual são classificadas conforme seu tamanho, valor ou duração. Tudo indica que pode ser uma frase sobre o caminho da vida, entre o viver e morrer, diz. A inscrição no final ("F.S. et S."), de acordo com ele, é comum em muitos monumentos da antiguidade que eram de uso particular. Talvez seja uma referência aos túmulos, mas as pesquisas vão prosseguir para descobrir o real significado das inscrições no cruzeiro.
