Regional

Museu abre hoje a exposição sobre São Domingos do Tupá


| Tempo de leitura: 2 min

Aurélio Alonso
Cruzeiro agora pode ser visitado no "Espaço Histórico Plínio Cardia",

em Agudos

Hoje, às 18h, no "Espaço Histórico Plínio Cardia" em Agudos (13 quilômetros de Bauru) será aberta uma exposição sobre São Domingos do Tupá, cidade que desapareceu nas imediações de Domélia. O evento marca oficialmente a abertura à visitação pública do velho cruzeiro removido do antigo cemitério em maio deste ano, depois que os historiadores santa-cruzenses Celso Prado e Junko Sato Prado visitaram o local e perceberam que o cruzeiro estava apodrecendo e prestes a cair.

Os moradores de Agudos vão conhecer de perto todo o processo de restauração da cruz de madeira que agora fica numa das salas, ao lado do altar que pertenceu à igreja e uma imagem de São Benedito, ambas resgatadas antes da antiga igreja ser demolida. O prefeito Altair Francisco Silva, diversas autoridades e colaboradores foram convidados para o evento pela diretora do museu, Marilena Cardia.

Por enquanto o cruzeiro ficará no museu até uma destinação futura como retornar ao mesmo local, onde estão as ruínas do antigo cemitério com pelo menos 200 túmulos ainda espalhadas pela área. O Espaço Cultural funciona das 9h às 17h de terça a sexta e sábado das 9h às 13h.

Os responsáveis assinaram um termo de guarda do cruzeiro, que poderá ser visitado pelo público. São Domingos do Tupá começou a ser povoado, segundo pesquisas de Celso Prado, em 1834. Foi uma espécie de "sentinela e fortaleza" do sertão paulista. A partir de 1850, São Domingos já tinha o título de "comarca eclesiástica" e era o local onde se registravam casamentos e nascimentos de toda a região. Em toda a região, somente Tupá tinha um padre no século XIX.

O memorialista Celso Prado doou a cópia de uma carta ao museu do então padre Francisco José Serodio datada de 15 de março de 1872 com relatos de como era o "último sertão de Botucatu" encaminhada a Justino Carneiro Geraldis. Ela foi fotografada a agora faz parte do acervo do museu.

DECIFRADA INSCRIÇÕES

Com a proclamação da República, o local começou a perder prestígio e no início do século XX, São Domingos do Tupá entrou em decadência e foi desaparecendo ao longo dos anos.

Durante o processo de restauração foram encontradas na parte de trás da cruz as inscrições esculpidas na madeira com as letras "Z.B.Z. I. - B.F.Z.G.F.F.". Numa consulta feita pelo JC, o memorialista fez uma pesquisa preliminar para decifrar o que significa as primeiras três letras: "Zeta Betha Zeta", cujo significado pode ser sepulcrário ou "lugar de sepulturas". Prado acredita que as inscrições fazem referência a dois extremos, no interior da qual são classificadas conforme seu tamanho, valor ou duração. Tudo indica que pode ser uma frase sobre o caminho da vida, entre o viver e morrer, diz. A inscrição no final ("F.S. et S."), de acordo com ele, é comum em muitos monumentos da antiguidade que eram de uso particular. Talvez seja uma referência aos túmulos, mas as pesquisas vão prosseguir para descobrir o real significado das inscrições no cruzeiro.

Comentários

Comentários