Tribuna do Leitor

Cidadão

Demerval Assis
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Ano de 1976, a primeira bicicleta ninguém esquece. Eu e meu pai, ferroviário da antiga Noroeste do Brasil, depois RFFSA, fomos à loja Tayano, pois iríamos comprar a minha tão sonhada bicicleta. Ao entrarmos nas loja, que ficava na esquina da Primeiro de Agosto com a Araújo Leite, veio nos atender o sr. Tayano, que ao me ver interessado por uma bicicleta X, sem muito rodeio, dos tempos e costumes de uma época, bem diferente da que vivemos hoje, que usam de todos os artifícios para seduzir a "vítima", quero dizer, o cliente, foi sincero ao dizer que aquela marca e modelo (só existiam praticamente Monark e Caloi) estava acima das nossas condições financeiras. O que também não foi questionado pelo meu pai, muito menos por mim, mesmo porque, de antemão, foi combinado em casa por mim e meu pai que ele daria apenas a entrada e eu pagaria as prestações mensais com meu primeiro emprego, a parte do que já exercia em casa, já que para a nossa família de oito irmãos ser feirante já era trabalho comum, como renda extra familiar.

Então, como alguns meninos do nosso bairro já faziam, fui trabalhar entregando, na madrugadinha, o Jornal da Cidade e como acabava cedo, ainda ia me juntar aos meus irmão nas barracas que tínhamos nas feiras livres de Bauru, que eram um comércio forte sem a concorrência dos grandes supermercados e seus horários gulosamente estendidos, feiras essas que ao meu parecer, hoje, seguem mesmo, como tradição. Assim, a história de grande parte do povo bauruense, como a minha, se entrelaça de uma forma ou de outra a partir do surgimento deste Jornal da Cidade, que passa a fazer parte atuando de nossa sociedade e que, aniversaria junto com Bauru, completando agora cinquenta anos bem vividos, ilustre filho com valorosíssimas contribuições prestadas não só a Bauru, mas a toda região.

Por isso temos duplo motivo para comemorar, é claro, sem esquecer nunca que a luta deverá ser constante e tem que ser assim, por uma imprensa melhor, por um comércio melhor, por indústrias melhores, por uma política melhor, enfim, por uma cidade melhorada, que irá impactar diretamente na qualidade de vida desse povo destemido e trabalhador, por isso, merecedor de cada centímetro de progresso conquistado, lições tiradas do passado, corrigidas e sentidas no presente por que o futuro, já diz o velho ditado, "A Deus pertence", ajudando a construi-lo sem saber se iremos ou não usufruir, mas com total responsabilidade.

Rua Vitória, na "grande Bela Vista", chão de terra batida, meu pai João Pedro da Silva, como muitos ferroviários ali instados, enfim comprou sua tão sonhada casa, isso em 1962, humilde e de madeira, orgulhosamente...

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