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30 superendividados de Bauru somam R$ 10,5 milhões em débitos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
Fernanda Pegoraro, coordenadora do Procon: devedores devem procurar credores para renegociar suas dívidas

Levantamento divulgado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru revelou que os 30 maiores consumidores inadimplentes no cadastro da cidade acumulam uma dívida de impressionantes R$ 10,594 milhões. O valor representa 22% do total de débitos em atraso contabilizados pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de R$ 48 milhões.

No topo da lista, está uma dívida de R$ 923.303,02 e, na 30.ª posição, um débito de R$ 153.964,53. Vale destacar que, neste levantamento do SPC, constam apenas dívidas relativas a pessoas físicas.

Consultor jurídico da entidade, Elion Pontechelle Júnior acredita que os valores astronômicos sejam resultados de operações de factoring e de mandados em que a Justiça impôs à CDL a inclusão dos nomes dos devedores, mesmo que não fossem dívidas contraídas no comércio. "O sócio de uma empresa que não tem mais condição de fazer empréstimo, por exemplo, faz o financiamento do valor em nome dele, como pessoa física, para capitalizar seu negócio", aponta, em relação contratos de factoring.

Nesta transação, o sócio troca créditos futuros da empresa por dinheiro vivo, ou seja, em vez de esperar o recebimento de valores negociados à prazo, vende as faturas para uma factoring (associada à CDL), que faz o pagamento antecipado (normalmente de um valor menor), correndo risco de não receber os créditos integralmente. Já em relação aos mandados judiciais, as dívidas podem estar relacionadas a qualquer transação financeira, que acaba, por ordem do juiz, sendo incluída no SPC.

"Normalmente, as dívidas de valores muito elevados acabam ficando muito tempo inscritas no cadastro, um período bem superior ao dos débitos menores", analisa

Apesar das cifras estratosféricas das superdívidas de Bauru, o Procon explica que um consumidor superendividado não precisa estar, necessariamente, no topo da lista do SPC. Por definição, este perfil de inadimplente é composto por quem possui débitos muito acima da sua capacidade mensal de pagamento, comprometendo até mesmo o custeio de despesas básicas.

Devido ao crescente número de endividados, a entidade chegou a anunciar a implementação de um núcleo para atendimento dos superendividados, mas a proposta acabou não prosperando devido à falta de funcionários. "Chegamos a concluir até a etapa de treinamentos, mas, por questões orçamentárias, não tivemos reposição de alguns funcionários exonerados e, por enquanto, não temos condições de dar conta desta nova demanda", explica a coordenadora do Procon em Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro.

'BOLA DE NEVE'

Uma aposentada, que preferiu manter a identidade preservada, seria uma consumidora com potencial para ser atendida pelo serviço. Segundo ela, suas dívidas, acumuladas por parcelas de financiamento atrasadas, cheque especial e rotativo do cartão de crédito consomem, hoje, cerca de 80% de seus rendimentos. "Comecei a me endividar quando minha mãe ficou acamada. Foram mais de dez anos e as despesas do dia a dia aumentaram muito. Fazia empréstimo para cobrir dívida de empréstimo", comenta ela, que prevê quitar o débito até março de 2018.

Uma vendedora de 42 anos, que também pediu anonimato, se envolveu na mesma "bola de neve". Segundo ela, o descontrole aconteceu quando o banco da qual era correntista ampliou limites do seu cartão e do cheque especial.

Na mesma época, ela fez um financiamento para reformar sua casa e viu suas finanças entrarem em colapso. "Tinha um empréstimo consignado também. Num determinado momento, sobrava menos de 50% do meu salário e não tive como continuar pagando. É uma situação humilhante", lembra. Com o nome negativado até hoje, três anos depois do endividamento, e com um débito estimado em R$ 14 mil, ela ainda tenta entrar em um acordo com o banco.

Como colocar finanças em ordem?

Coordenadora do Procon em Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro orienta as pessoas endividadas a adotar algumas medidas para tentar colocar as finanças em ordem. A primeira delas é identificar o valor exato da renda mensal e listar todas as despesas, incluindo contas básicas da casa e gastos com supermercado, comércio e passeios, entre outros. "O próximo passo é levantar quais as possibilidades de redução de gastos, ou seja, onde é possível cortar gorduras. A partir de então, identificando a sobra que ele poderá gerar no mês, o devedor deve procurar os credores para renegociar a dívida, com diminuição de juros e parcelamento em condições favoráveis", completa.

Novos devedores caem; regularizações também

Segundo dados do SPC, o número de pessoas incluídas no cadastro de inadimplentes da cidade caiu 2,7% nos primeiros sete meses de 2017, na comparação com o mesmo período do ano passado.

De janeiro a julho, foram 7.867 pessoas negativadas, ante as 8.085 incluídas da lista de devedores no início de 2016. O resultado poderia ser visto com bons olhos se, no mesmo período, o número de consumidores que conseguiu limpar o nome também não tivesse registrado queda.

Mas, ainda de acordo com o SPC, nos primeiros sete meses de 2017, 4.227 pessoas foram excluídas do cadastro, contra as 5.433 que negociaram suas dívidas entre janeiro e julho de 2016. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a queda no ritmo de inclusões e exclusões no cadastro do SPC é reflexo direto da cautela do consumidor.

Diante do aumento do custo de vida, do medo de perder o emprego e do compromisso com dívidas contraídas anteriormente, muitos optaram por frear o ritmo de compras.

O único bom sinal, até o momento, é o aumento de 7% na quantidade de consultas realizadas pelos estabelecimentos comerciais ao cadastro, o que demonstra melhora no movimento de consumidores com intenção de compra. De janeiro a julho, foram feitas 166.203 pesquisas, ante as 155.365 contabilizadas nos primeiros sete meses de 2016.

 

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