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Um professor que não consegue fazer cálculos para entender

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Infelizmente sou eu. Melhor dizendo ou esclarecendo, não é que não saiba fazer cálculos ou contas em matemática, pois consigo fazê-los com minha calculadora "made in China" ou com as operações tradicionais que aprendi nos primeiros anos escolares, chegando a qualquer resultado. Sou capaz até de ler o resultado obtido aplicando as concepções de unidade, dezena, centena e milhar.

Prezado leitor, veja que eu não sou tão ruim assim. Mas o que eu não entendo algumas vezes é a noção do valor desse resultado e tenho certeza de que muitos me acompanham nessa deficiência. No cotidiano da rotina e da vida, quando se trata de dinheiro, considerando o tão pouco que a gente recebe mensalmente, o nosso minguado orçamento, comparando-o com alguns resultados divulgados e obtidos, pergunta-se: "O que dá para se comprar com isso?" E, antecipando após consultá-lo, a afirmação que um prezado e querido amigo deu-me após questioná-lo ao deparar-me com um desses produtos respondeu-me: "17 mil carros zero da mais famosa marca". E retruquei-lhe: "E de que tamanho deve ser a garagem?"

Todas estas divagações estão me ocorrendo após as milhares de notícias que circularam nosso planeta após a realização da maior transação esportiva acontecida no mundo até hoje, decorrente da venda de Neymar Jr. do Barcelona ao Saint German, da França. 220 milhões de euros que equivalem a 830 milhões de reais. Quase um bilhão! Só de multa. Fora o faturamento mensal do reconhecido e inegával grande jogador que é Neymar Jr, agora Reymar. Muito dinheiro nas mãos de tão poucos. Transação paga pelo bilionário Nasser Al-Khelaif, da família real do Qatar, e que, conforme escreveu o ilustre jornalista Zarcílio Barbosa (6/8), "daria para comprar os times do Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e ainda levar de troco o Atlético Mineiro". Não quis fazer outros cálculos, só sei que ele ganhará R$ 213,00 por minuto. Esta transação, a meu ver uma aberração, não é nem será um fato único pois infelizmente poderá ocorrer em sociedades ricas. Eu, particularmente, considero-a como uma afronta à espécie humana, ao "homo sapiens". Neymar está certo ou errado? Está certíssimo, pois trata dos seus interesses, do seu futuro. Ambos os times estão errados e devem ser condenados pela transação? Eu entendo que não, pois ambos defendem seus interesses próprios e às torcidas. Entendo que, se pudéssemos, qualquer um de nós faria a mesma coisa. Enfim, onde está o erro, a incoerência? Nos regimes e sistemas políticos, nos políticos, nos governantes, no povo? Não.

O problema está no próprio homem que não olha o lado, o seu semelhante, que não se enxerga no outro. Pois não tem tempo! Ele se extasia com as grandezas humanas e não vê a pobreza que grassa no mundo. Quanto dinheiro acumulado nas mãos de tão poucos! Quanta miséria ainda reina no mundo.

Quanta criança morrendo por tão pouco, comendo terra porque não tem o que comer, pela falta de um barato remédio, morrendo de frio. Enfim, o que fazer para minorar estas discrepâncias, deixar de fazer, dividir entre todos? É para se pensar! Não apenas para os filósofos, sociólogos, políticos, economistas, religiosos e outros especialistas refletirem. Mas àqueles que veem e enxergam. Estou satisfeito com o que sou e pouquíssimo que tenho e, cada vez mais, admiro o homem mais rico do mundo, Bil Gates, que, deixando a administração do seu império, juntamente com sua esposa Melina, passou a dedicar-se à filantropia no mundo. Ressalte-se de que a Fundação Melina já custeou pesquisas no Centrinho de Bauru.

E, fato também importantíssimo, tem incentivado e convidado outros bilionários a destinarem parte de suas fortunas à diminuição da miséria humana e às pesquisas. Sempre será tempo para se pensar!

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