Em 8 de agosto comemora-se o "Dia Internacional do Pedestre". A escolha da data se deu porque, nesse dia, lá pelos idos de 1969, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, se deixaram fotografar atravessando, na faixa de pedestre, a Abbey Road, em Londres. Esta famosa foto foi adotada pelos órgãos ligados ao trânsito para trazer à memória a necessidade de se conferir prioridade às pessoas, os usuários mais vulneráveis nos sistema de trânsito. Mas, será que temos mesmo algo a comemorar neste dia? Será que um único dia é suficiente para modificar a quantidade enorme de pedestres que perdem a vida diariamente no trânsito brasileiro?
Em 2016, no município de Bauru, morreram 13 pessoas por atropelamento, segundo o sistema Infosiga do Governo Estadual. Mas não são somente as mortes que devemos lamentar, o que já seria plenamente justificável. Em Bauru, o pedestre, historicamente, parece não ter vez. As nossas calçadas são, quando realmente existem, de péssima qualidade, pavimento inadequado, cheia de buracos, degraus, com objetos e materiais nelas depositados etc.
As calçadas são áreas, na verdade, de propriedade do município, porém, através de leis, a competência de sua construção e manutenção é transferida aos donos de lotes que, sem a devida fiscalização do poder público, as transformam em extensões de seus quintais, sob as vistas vendadas da prefeitura.
Adicionalmente, as calçadas são desprovidas de arborização, tão importante para conferir maior conforto nas caminhadas. Aliás, a cidade, que já dispõe de pouquíssimas árvores nos passeios públicos, assiste diariamente a poda de dezenas de unidades, sem a devida reposição de espécies adequadas ao ambiente urbano.
De acordo com a Associação Nacional de Transportes Públicos, o modo a pé é responsável por 36% das viagens diárias nas principais cidades brasileiras, representando, individualmente, a maior fatia da matriz de viagens urbanas. Além disso, a Lei 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, traz como uma das principais diretrizes justamente conferir prioridade dos modos de transportes não motorizados - a pé e por bicicleta - sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado.
Urge que o município crie um programa que estimule a construção e manutenção de calçadas de forma a atender aos requisitos da norma ABNT NBR 9050, que trata da acessibilidade, tal como os exemplos das cidades de São José dos Campos, Cascavel, Londrina, Canoas, Rio Branco, Santos, dentre outras.
O incentivo ao modo de transporte a pé faria com que mais pessoas deixassem seus carros em casa e passassem a realizar parte de suas viagens diárias por modo sustentável, colaborando para uma cidade com melhor qualidade de vida. Enfim, todo dia deveria ser dia do pedestre.