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Prédios públicos são alvos de vandalismo 92 vezes só em 2017

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Divulgação 
CEU das Artes, no Jardim Redentor, foi alvo de vandalismo no mês passado: quebraram parte do banheiro e furtaram calhas de luz

Bauru registrou 92 casos de vandalismos e furtos a prédios públicos somente neste ano, incluindo a administração direta (DAE e Emdurb). Em 2016 inteiro, foram 167 ocorrências, conforme levantamento feito pelo município a pedido do JC.

Diante da situação, a prefeitura aposta em três medidas para tentar resolver o problema: intensificação da atividade delegada no período noturno, restauração rápida dos locais danificados e a implantação de videomonitoramento, com instalação de câmeras em locais estratégicos da cidade. 

A última opção, entretanto, ainda depende de liberação de verba através de emendas parlamentares. Em relação ao assunto, a Polícia Militar (PM) informou que segue com patrulhamento. Já a Polícia Civil aponta idiotificações das ocorrências.

Os casos registrados neste ano compreendem escolas municipais, instituições culturais, praças, o Parque Vitória Régia, redes de água e esgoto do DAE, furto de fiação elétrica e cemitérios. Ontem, inclusive, uma pessoa foi presa furtando o Cemitério da Saudade.

Em nota, a prefeitura informou que houve 77 ocorrências de vandalismo e furtos, de janeiro a julho. Em 2016, foram 147 casos. Já o DAE contabilizou 17 atos de vandalismo e furtos contra poços profundos e reservatórios de água em diversas regiões da cidade, em 2016.

Estima-se que o número tende a crescer, já que, somente no primeiro semestre de 2017, a autarquia contabilizou 11 ocorrências. "Há um grande prejuízo social, porque toda vez que uma unidade tem a fiação furtada, a produção é interrompida por falta de energia e milhares de pessoas ficam sem água por até 48 horas", aponta o diretor administrativo do DAE, Toni Zanotto.

A Emdurb confirma quatro ocorrências de vandalismo e furtos nos cemitérios sob sua gerencia somente neste ano, envolvendo vários túmulos. No ano passado inteiro, foram três registros. "No Redentor, jogam até lixo e entulhos na calçada, fora os atos de pichação em muros", detalha o diretor de manutenção e modais da empresa municipal, Daniel Chan Escobar.

Ações

Questionado sobre o problema de vandalismo, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) aponta três medidas para tentar inibir os casos. Uma delas é a intensificação da atividade delegada - que permite aos policiais militares trabalharem para o município durante suas folgas.

O chefe do Executivo destaca que, neste ano, houve um remanejamento dos policiais, ou seja, destinou-se parte dos profissionais que atuavam durante o dia para o período noturno, com objetivo de travar ações de vândalos. "É uma forma de suprir a demanda de fiscalização", diz. 

O poder público aposta ainda na implantação de videomonitoramento em Bauru, assunto já tratado pelo Jornal da Cidade em abril deste ano. Segundo Gazzetta, emenda parlamentar no valor de R$ 300 mil deve ser liberada ainda neste ano.

Com a verba, diz ele, será possível iniciar a implementação do projeto, que contará com contrapartida do município e também do governo do Estado, através da Polícia Militar. "Serão instaladas 10 câmeras em pontos estratégicos da cidade", adianta.

Por fim, o prefeito ressalta o trabalho de melhoria daquilo que já foi danificado. "A insistência da manutenção ajuda a coibir os atos de vandalismo. A gente busca fazer a recuperação do patrimônio público mais rapidamente possível, quantas vezes forem necessárias, o que incentiva a comunidade a se envolver no processo de fiscalização e preservação dos equipamentos", frisa.

Em razão de custos, Gazzetta disse que está "totalmente descartada" a implantação de uma Guarda Municipal em Bauru, como já existe em algumas cidades da região, como Botucatu. "Do ponto de vista financeiro, é muito onerário, pois, para manter 20 homens nas ruas, o quadro deveria ser de, ao menos, 80 profissionais, em razão do rodízio de 12 horas por 36 horas trabalhada", finaliza. 

PM fala do patrulhamento e Civil, das subnotificações

Comandante da PM em Bauru, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume ressalta que os prédios públicos entram na rota de fiscalização da Polícia Militar. "Porém, vandalismo é um crime de difícil controle, pois existe a necessidade de cooperação mútua entre PM, população e os responsáveis pelos imóveis. Também é preciso denunciar", frisa.

Segundo Kitazume, os furtos a equipamentos públicos - como fiação elétrica, materiais usados nas redes de água e esgoto, entre outros - estão não somente relacionados à manutenção do vício nas drogas mas também ao enriquecimento ilícito. "Por isso, há um esforço para tentar identificar a atividade comercial ilegal desses materiais", comenta. 

A Polícia Civil aponta subnotificações dos casos. "A quantidade de ocorrências registradas é muito pequena. Não há como destinar equipe específica para investigação, por conta dos crimes mais graves. Porém, os casos que chegam até nós são devidamente investigados", diz o delegado Richard Serrano, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG).

Furto frustrado em cemitério

Ontem,inclusive, houve um novo furto a um cemitério de Bauru. Contudo, o acusado do crime foi preso pela PM. Após solicitação via Copom, a equipe da 1.ª Companhia e policiais da atividade Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (Dejem) conseguiram prender M.A.A.S. (somente as iniciais foram divulgadas) em posse de imagens de santos e demais peças de túmulos.

'A gente não sabe mais o que fazer'

Entre os alvos de vandalismos registrados recentemente em Bauru, está o CEU das Artes, no Jardim Redentor. "No mês passado, entraram duas vezes. Arrebentaram um dos banheiros e furtaram calhas de luz. A gente não sabe mais o que fazer, acontece direto", desabafa o secretário municipal de Cultura, Luiz Fonseca. Conforme o JC noticiou, no início de julho, os diretores da Divisão Administrativa, Serviço de Patrimônio e Serviços de Águas Profundas e Reservações do DAE pediram ajuda da PM para combater os crimes frequentes, após registro de 11 casos de vandalismo e furtos em poços, deixando milhares de consumidores sem água. Já em junho, a Divisão de Iluminação da Secretaria de Obras precisou adotar uma estratégia após furto de 200 metros de cabos elétricos do viaduto JK, na rua Azarias: instalaram a fiação por baixo do viaduto. Antes, os fios ficavam dentro da tubulação embutida no concreto, que era constantemente danificada pelos ladrões. "Agora, só consegue ter acesso aos fios pelo caminhão munck", destacou a prefeitura à época, em nota.

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