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| Além da natural aptidão para a modalidade, Valentim revela o segredo de um bom jogador de pôquer: "trabalhar a mente de forma a condicioná-la para estar sempre tranquila e serena " |
O principal nome no País e um dos mais bem ranqueados do mundo no pôquer profissional é de Bauru. Renato Valentim, 31 anos, ficou entre os finalistas do Mundial de Pôquer realizado em cassino de Las Vegas, nos EUA, e voltou para casa com a posição de número 15 do mundo e uma bolada de 72 mil dólares. Em entrevista exclusiva ao JC, o Bauruzito, como é conhecido no Exterior, contou como largou a carreira na publicidade para ser jogador profissional de pôquer, no estilo "Texas Holdem".
O filho do Éris e da Regina admite, porém, que não foi nada fácil tomar a decisão e teve que encarar a desconfiança natural da família. Mas hoje relembra com orgulho o desafio que se propôs em deixar a zona de conforto e partir para a cartada certeira que fez na vida. "Eu jogo pôquer desde garoto, mas passei a atuar com mais frequência no jogo quando me mudei para São Paulo e fui estudar publicidade e propaganda na Universidade Anhembi Morumbi. A partir dali, em 2009, passei a jogar em clubes, de uma forma mais séria. E em 2011, veio a decisão: larguei a publicidade para viver como "pokerplayer" e estou nessa profissão desde então", revela.
Valentim conta ainda que o começo, como todas as mudanças na vida, foi muito difícil, porque não havia, na época, acesso a tanta informação de estudos e preparação como hoje. "A família apoiava daquele jeito, sabe, sempre com um pé atrás, logicamente. Não conheciam o jogo. Mas sempre me apoiaram e acreditaram em mim, porque sabiam que eu nunca estaria trilhando um caminho errado. E eu tinha a certeza que qualquer que fosse os meus resultados eu sempre poderia contar com eles", ressalta.
Pelos adversários, que contabilizam centenas de milhares pelo mundo todo, o Bauruzito é conhecido como um jogador extremamente habilidoso, inteligente e muito estudioso. Ao lado dele, nesta preparação que exige cerca de 10 horas diárias, entre treinos e competições, Renato conta com a torcida dos pais, do irmão Rafael, da esposa Nathalia Semensato, da filha Maria Catharina e do enteado Kauã.
ROTINA DE VENCEDOR
Valentim deixa bem claro que não se ganha dinheiro fácil e da noite para o dia no pôquer profissional. Ele explica que é preciso dedicação exaustiva, estratégia e mente equilibrada. Todas as taxas de inscrições online variam muito, entre 55 dólares e podendo chegar até 10 mil dólares, como foi a sua última, presencial, em Las Vegas.
"A minha rotina está em dormir bem, trabalhar a mente de forma a condicioná-la para estar sempre tranquila e serena para que eu possa tomar as melhores decisões no jogo. Porque só com muito volume de jogos que alcançamos a lucratividade no pôquer. A maioria dos torneios são online, mas eu viajo muito para participar dos presenciais", comenta.
Valentim diz ainda que antes do prêmio de 72 mil dólares no Mundial em Las Vegas, com transmissão da ESPN, onde ficou entre os 80 melhores de um total de 7.200 adversários, ele havia conquistado um outro torneio cujo prêmio recebido foi de 62 mil dólares. Achou que é muito dinheiro? No universo do pôquer, não. O campeão neste Mundial em Las Vegas levou a bolada de 8,2 milhões de dólares. Mas as inscrições, conforme Renato havia mencionado, também são altas.
Conforme o ranking PocketFives, o mais respeitado do mundo, Valentim é o nº 15 do mundo e o vice-líder do ranking brasileiro. A meta do Bauruzito é o topo.
