Úteis para agilizar a comunicação entre as pessoas, as ferramentas digitais de troca de mensagens também têm sido cada vez mais utilizadas por criminosos. Segundo a Delegacia de Polícia Federal (DPF) de Bauru, é crescente o volume de casos de comercialização de notas falsas pela Internet, que são enviadas por meio de cartas.
Chefe da unidade, a delegada Karen Dunder explica que o número de ocorrências vem crescendo exponencialmente ao longo do último ano na região. Segundo ela, a crise pode explicar parte do fenômeno. "Não temos levantamentos atuais sobre isso, mas existem estudos de criminologia que associam a situação econômica ao aumento da criminalidade", cita.
Karen revela que este tipo de crime atrai, principalmente, pessoas jovens. Muitas delas, inclusive, sequer possuem antecedentes criminais. "Muitas são movidas pela oportunidade de fazer dinheiro fácil. Já tivemos casos de pessoas presas que tinham emprego fixo e uma vida aparentemente normal", comenta.
As investigações apontam que as fábricas de notas falsas estão localizadas em outras áreas do Estado. Mas, na região, já foram identificados até mesmo distribuidores destas moedas, que atuam como intermediários, o que denota a formação de uma rede criminosa razoavelmente organizada.
"Para se ter uma ideia do crescimento deste comércio ilícito, em um passado não muito distante, a proporção para venda era de cinco para um (R$ 50,00 custavam R$ 10,00). Depois, passou de três para um e, agora, a oferta já gira em torno de dois para um", conta.
Normalmente, as negociações ocorrem por redes sociais ou aplicativos de mensagens, cujas empresas proprietárias tendem a negar a quebra de sigilo de dados, o que dificulta a localização e punição dos autores, salienta Karen. "São criadas páginas no Facebook e até mesmo grupos no Whatsapp com pessoas do País inteiro. São sempre perfis falsos e os remetentes também utilizam endereços falsos para envio das correspondências, o que é um problema para a investigação", pondera.
DISFARCE
| Malavolta Jr. |
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| Delegada chefe da Polícia Federal de Bauru, Karen Cristina Dunder |
Na tentativa de despistar a fiscalização, os vendedores costumam utilizar embalagens discretas para envio pelos Correios. Mas, conforme a delegada, algumas correspondências já chegaram a ser interceptadas pela DPF de Bauru. "Eles despacham como se fosse uma mercadoria normal para não levantar nenhuma suspeita", comenta.
Também costumam ser utilizados, segundo os Correios, fundos falsos, paredes internas falsas na embalagem e até livros onde as cédulas podem ser inseridas e ocultadas. Mas, de acordo com a empresa, as notas podem ser identificadas por meio dos equipamentos de raio-X e espectrômetros de massa, ferramentas de segurança que ficam em unidades de tratamento e de distribuição para detecção de todo tipo de objeto postal com conteúdo proibido ou perigoso.
"Para cada unidade operacional onde foi instalado um equipamentos de segurança postal, é elaborado um plano local de fiscalização, que norteia a operacionalização de tais equipamentos. Após a identificação de algum objeto suspeito, ele é retido e as autoridades competentes são acionadas para abrir e analisar os conteúdos, já que os Correios fazem somente a retenção", informa a empresa, por meio de nota.
APREENSÃO
Na última quarta-feira, um homem de 23 anos foi preso pela Polícia Federal com sete cédulas falsas de R$ 50,00 e um simulacro de arma de fogo. Morador de Bauru, ele conduzia um Honda Civic, que foi abordado pela Polícia Militar no final da tarde, na alça de acesso à rodovia Marechal Rondon, na altura da avenida Nações Unidas. Segundo o delegado federal Olavo Farinelli, os policiais militares realizavam patrulhamento de rotina e, ao se aproximarem do Civic, o rapaz fez uma manobra brusca e tentou fugir. "Ele foi em direção à rodovia na tentativa de empreender fuga, mas acabou parando ao sinal da viatura", explica.
No carro, havia outro homem, que desconhecia a existência das notas falsas e foi liberado depois de prestar depoimento. O dinheiro foi encontrado na carteira do motorista, que foi encaminhado para a Cadeia Pública de Avaí. Ele responderá a inquérito por adquirir e guardar moeda falsa, cuja pena prevista é de três a 12 anos de reclusão. As cédulas e o simulacro foram apreendidos.
