A Falsafa caracteriza o período, entre os séculos VIII e XIII d.C., em que floresceu a filosofia junto aos árabes. Um período em que o Ocidente conhecido estava mergulhado na Idade das Trevas. A Falsafa se iniciou com Al-Kindi (796 - 873 d.C.), ganhou contornos mais definidos com Al-Farabi (872 - 950 d.C) e tem seu apogeu com Ali Ibn Sina, nascido no ano de 930 d.C. e que ficou conhecido com Avicena.
Outro pensador importante dentro da Falsafa foi o sufi Al-Gazali. Para ele, resta ao homem, como caminho para alcançar a verdade, entrar dentro de si e, meditando profundamente, achar entre as cinzas o brilho da faísca divina. Em todo esse caminho, o homem deve ter a fé como condutora, pois só a razão iluminada pela fé conduz à sabedoria.
Quando Ibn Rusd ou Averróis, como ficou conhecido, nasceu em Córdoba (1126 - 1198 d.C.), três séculos já se haviam passado desde que Al-Kindi recepcionara a filosofia entre os árabes. Com Averróis a Falsafa inaugurou um novo perfil geográfico, não mais centrada em Bagdá ou Alepo, mas, também, na Europa, mais precisamente na Espanha, em Saragoza, Sevilha, Granada e Toledo.
Os judeus tiveram contato com a Falsafa praticamente desde seu início com Isaac Israeli, contemporâneo de Al Kindi e depois na Espanha, sobretudo com Maimônides (1135 - 1204 d.C.), nascido em Córdoba e médico da corte de Saladino. Moisés ben Maymun - Maimônides, conterrâneo e contemporâneo de Ibn Rusd, foi um judeu cabalista marcado pela Falsafa, cujas obras influenciaram Tomás de Aquino.
Um dos pontos de destaque dessa corrente filosófica, principalmente com Al Gazali, é o desmoronamento da certeza. Se não podemos confiar em nossos sentidos, o que é realmente verdadeiro?
Os seres humanos não receberam uma escritura exclusiva da realidade, embora acreditemos que sim, talvez por um senso de superioridade autoimposta ou por orgulho do cérebro que temos. O cérebro humano é o objeto mais complexo de todo o universo e, graças à sua atividade, o ser humano tem consciência de si.
Independentemente do que esteja acontecendo neste momento, nosso cérebro está sempre registrando uma sensação, uma imagem, um sentimento ou um pensamento. Sendo assim, a realidade é ou tem uma forte componente subjetiva.
A física quântica introduziu o conceito de qualia ou qualidade, como a cola que mantém unidos os cinco sentidos, os verdadeiros tijolos da realidade. É através de nossos sentidos que percebemos a realidade, mas, se eliminarmos as sensações, a imaginação, os sentimentos e os pensamentos, produzidos e gerados pelos nossos sentidos, não sobra coisa alguma.
Os neurônios não ouvem música, nós ouvimos. A música não pode ser encontrada no rádio ou em uma coleção de neurônios que enviam sinais químicos e elétricos uns para os outros. Não há som no interior do cérebro, o ambiente ali é completamente silencioso.
Da mesma forma que os ouvidos, os olhos são órgãos físicos que evoluíram para realizar o desejo da mente de enxergar. Nós experimentamos o mundo por escolhas. As propriedades de uma maçã são percepções da mente humana. Tudo o que percebemos é uma criação mental acumulada em milhões de anos de evolução.
O cérebro tem uma única função: permitir o acesso ao espaço mental em que residem os conceitos, as experiências, as imagens, os sentimentos. O cérebro é apenas a porta que se abre para a consciência.