Regional

Família aponta lentidão no resgate de vítima de naufrágio no Amazonas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Familiares e amigos em protesto na avenida Prefeito Guilherme Geraldi Campanhã, ontem em Bocaina

Familiares e amigos de Carlos Bueno de Souza, de 43 anos, buscam respostas. Em protesto, ontem em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), eles reclamaram da lentidão no resgate de Souza e de outros oito tripulantes que estavam a bordo de um rebocador que naufragou há 14 dias no Rio Amazonas, no Pará. Apenas duas pessoas conseguiram se salvar durante o acidente (leia mais abaixo).

Conforme o JC noticiou nas últimas semanas, Carlos, que era nascido em Bocaina, morava em Agudos com a família, mas há três anos prestava serviço em Santarém, no Pará. Formado como mestre fluvial na Fatec de Jaú e atuante há quatro anos na Marinha Mercante, ele trabalhava na empresa Bertolini Transportes Ltda., proprietária do rebocador, e treinava para ser passado a piloto daqui a seis meses.

"A área onde o acidente ocorreu foi demarcada. Eles apenas tiraram o navio e pararam as buscas. A embarcação que levava meu irmão continua a 62 metros de profundidade e ninguém faz nada", reclama Kélida de Souza, irmã de Carlos. "Estamos sem notícias, vivendo um tormento. Sei que é quase impossível ele estar vivo, mas queremos, pelo menos, poder enterrar seu corpo", completa.

ASSISTÊNCIA

A família também reclama do fato de a Bertolini não possuir um plano de emergência para acidentes do tipo, mesmo utilizando com frequência a rota.

"Também não recebemos nem um telefone sequer de uma assistente social ou psicóloga da empresa para nos acalmar e dizer que não irão desistir. Nos informamos mais com base na mídia", acrescenta Kélida.

Casado com Fernanda Lazari Costa Souza, Carlos é pai de Maria Eduarda de 6 anos e Lucas de 19 anos, que seguiu os passos do pai e estuda construção naval na Fatec.

REUNIÃO DECISIVA

Em contato com a reportagem do JC, Paulo Caleffi, diretor da Bertolini, informou que a empresa irá se posicionar sobre assunto apenas após uma reunião que será realizada hoje, às 9h, no Corpo de Bombeiros de Santarém.

"A empresa que lidera a salvatagem (resgate) apresentará tudo o que foi feito e apontará os próximos planos. Diante disso, tomaremos uma posição", comenta o diretor. Ainda de acordo com ele, três representantes de todas as famílias participarão desta reunião.

DIFICULDADES

Segundo a Bertolini, no local do naufrágio, há condições que dificultam os trabalhos, como a inexistência de visibilidade nas águas, a profundidade na qual se encontra o empurrador e a correnteza de cerca de 4,5 nós da água. David Pockett, especialista em operações de salvamento e remoção, chegou em Santarém no dia 7 de agosto para integrar à equipe. Ele atuou na remoção do navio Costa Concórdia na Itália.

O ACIDENTE

O rebocador, que era composto com um comboio de nove balsas carregadas com milho e com destino a Santarém, seguia com 11 tripulantes. Apenas dois foram encontrados vivos.

A embarcação colidiu com o navio da Mercosul Santos, que saiu do Porto de Suape (Pernambuco) carregado de contêineres com destino a Manaus.

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades pelo acidente que resultou no naufrágio. A Capitania dos Portos de Santarém também investiga o acidente.

No dia 13 de agosto foi removida a balsa que se encontrava presa na popa do navio.

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