Regional

Polícia procura acusado de crime em ocupações de terras

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Delegado titular de Borebi, Marcos Jefferson da Silva (à esq.) e o seccional de Bauru, Ricardo Martines 

A Justiça de Lençóis Paulista acatou pedido da Polícia Civil de Borebi (45 quilômetros de Bauru) e decretou, na última sexta, a prisão preventiva de um dos líderes do Movimento Sem-Terra (MST) na região Willian Miranda Cabeçoni, conhecido como "Japonês", 32 anos. Ele é apontado como autor de estragos e furtos durante ocupações do movimento a propriedades rurais da região. Mais duas pessoas foram indiciadas pelos mesmos crimes.

Segundo o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, a ação de maior repercussão comandada por Cabeçoni, que ganhou veiculação nacional, ocorreu em 2009 na Fazenda Santo Henrique da Cutrale, em Borebi, quando vários pés de laranja foram derrubados com trator. Entretanto, a prisão preventiva levou em conta a ocupação ocorrida em abril deste ano na mesma propriedade.

Na ocasião, segundo a Polícia Civil, cerca de 9 mil litros de óleo diesel foram furtados, além de equipamentos de segurança e de informática. "Também houve danos contra as instalações da fazenda e pichações. Danificaram os maquinários, colocando terra dentro do motor dos tratores", detalha Martines. 

O acusado foi indiciado pelos crimes de esbulho possessório, furto, dano e associação criminosa. Também foram indiciados Ariovaldo Rodrigues Menezes e Gerson Inácio da Silva. Entretanto, somente Cabeçoni teve a prisão decretada. Ele permanece foragido.

'ACIMA DA LEI'

O primeiro inquérito contra Cabeçoni teria sido instaurado em 2009, aponta Martines. "Pediu-se a prisão preventiva, mas não foi decretada à época. Depois, ocorreram mais três invasões: sempre com ele na liderança e o mesmo modo de agir. Nesta última (abril deste ano), constatou-se a execução dos mesmos crimes e mais duas pessoas foram identificadas", ressalta.

"Todas as vezes que ele (Cabeçoni) foi intimado a depor, nunca compareceu. Isso prova que ele acha que está acima da lei e se esconde atrás de uma bandeira social, um movimento importante que é o sem-terra, para praticar crimes e buscar lucros", finaliza o delegado seccional. 

HISTÓRICO

Segundo o delegado titular de Borebi, Marcos Jefferson da Silva, em 2008, Cabeçoni liberou ocupação à Prefeitura de Borebi para reivindicar transporte escolar para crianças do assentamento em que ele estava. "Durante a ação, houve depredação ao patrimônio público", disse. 

Em outubro de 2009, o líder do movimento teria comandado ocupação à fazenda da Cutrale. A ação envolvendo mais de 300 integrantes do MST teve repercussão nacional com a divulgação de imagens mostrando os manifestantes destruindo pés de laranja com tratores da propriedade.

Cabeçoni é apontado também como líder do movimento que ocupou propriedade privada em 2013 e a fazenda da Cutrale novamente em 2014 e em abril deste ano. Em todas as ações, o delegado Marcos da Silva afirma que houve a prática de crimes.

MST DENUNCIA CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA POR REFORMA AGRÁRIA

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) definiu o caso como "perseguições e tentativas de criminalização" da luta por reforma agrária. "Nessa escalada da repressão contra a luta pela terra predominam os interesses do agronegócio associado à violência do aparato do Estado. As vítimas? Camponeses, indígenas, quilombolas e trabalhadores em geral. Seus crimes? Nenhum. Suas causas? A luta pela reforma agrária e por transformação social", destacou em nota.

No caso da região centro-oeste de São Paulo, o movimento aponta que trata-se de tentativa de criminalizar a luta pela terra em áreas públicas da União. Declara ainda que, sobre as propriedades citadas na reportagem, como a fazenda mantida pela Cutrale, o Incra teria solicitado a tutela antecipada da área sob o argumento de que as terras pertencem à União. "A criminalização do MST na região de Iaras tem a intencionalidade de desmobilizar a luta e escamotear o verdadeiro crime: a grilagem de milhares de hectares de terras públicas pelas empresas do agronegócio. Por isso, o movimento seguirá na luta permanente para que a terra cumpra a sua função social e que as áreas públicas sejam destinadas para o assentamento das 3500 famílias acampadas em todo o Estado de São Paulo", diz a nota. O MST informa também que todas as medidas jurídicas cabíveis já estão sendo tomadas para garantir a restauração dos direitos constitucionais dos trabalhadores rurais.

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