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É possível economizar mais de 400% na farmácia, diz pesquisa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Levantamento da Fundação Procon realizado neste ano em Bauru mostra que a variação do preço de um mesmo medicamento chega a mais de 400% entre uma farmácia e outra. Por isso, em tempos de crise econômica, a preocupação em pesquisar preços nas redes farmacêuticas da cidade nunca foi tão importante, apontam órgãos de defesa do consumidor (veja mais dicas no quadro ao lado).

A pesquisa indica que a maior diferença entre estabelecimentos da cidade é em relação a genéricos: a Simeticona (indicada para pacientes com excesso de gases no aparelho digestivo) foi encontrada a R$ 2,48 em uma farmácia e a R$ 12,90 em outra, uma variação de 420,16%.

Já os preços dos medicamentos de referência "flutuaram" até 319%, como é o caso do Amoxil (Amoxilina). Segundo levantamento da Fundação Procon em Bauru feito no mês de maio, de R$ 16,24, o remédio foi encontrado por até R$ 58,01.

Entre os fatores determinantes de tamanha diferença, o órgão de proteção ao consumidor observa que a aplicação de descontos pode variar de acordo com as condições locais de mercado, rentabilidade da loja, situações comerciais de compra. "Em algumas drogarias de rede, há políticas comerciais diferentes para cada canal de venda (loja física, telefone e site - loja virtual). Há redes que são geridas pelo sistema de franquia, não havendo uma política única de preços entre os franquiados", frisa a pesquisa.

GENÉRICO X REFERÊNCIA

O levantamento também revelou grande diferença de preços entre os medicamentos genéricos e os de referência. Em média, os primeiros custam 50,64% a menos do que os últimos, "o que pode representar uma grande economia ao bolso do consumidor", destaca a pesquisa, complementando que, "por serem produzidos por diversos laboratórios, os medicamentos genéricos são, em geral, mais baratos. Mas é bom lembrar que o genérico de um mesmo laboratório também pode apresentar preços diferentes entre as drogarias e farmácias. Logo, é essencial a pesquisa de valores sempre aliada à recomendação e prescrição médica".

Justamente por conta da diferença no bolso, dados do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (Ifepec) revelam que 37% dos brasileiros já consideram o genérico na hora da compra. Exemplo da dona de casa Sara Ferrarezi de Oliveira, 21. Nesta segunda-feira, em uma farmácia do Centro de Bauru, ela procurava por produto com o mesmo princípio ativo de um medicamento de referência, para tratar a rinite da filha de 3 anos.

"Com a economia do País instável, já faz pelo menos dois anos que venho optando por genéricos, que chegam a custar até metade do preço em relação ao original. E o efeito é o mesmo. Nunca tive problemas", observa, ressaltando a importância de pesquisar. "A diferença de valores de um estabelecimento para o outro é muito grande", aponta.

PRESCRIÇÃO

Alguns pacientes já adotam iniciativa de solicitar que o médico prescreva medicamentos genéricos na receita. É o caso da telemarketing Francielli Brito da Silva Costa, 22 anos. “Sempre peço para que indiquem, pois a diferença de preço é muito grande”, frisa.

Representante do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em Bauru, o médico Carlos Alberto Monte Gobbo confirma que ainda há certa resistência por determinados médicos em prescrever medicamentos genéricos aos seus pacientes.

“Toda mudança de comportamento leva um tempo. Às vezes, é mais conveniente preencher a receita com um nome curto ou comercial, de fácil memorização, do que de genéricos, que, geralmente, são nomes grandes”, pontua, relacionando o aspecto de confiança da população ao produto consumido.

“O genérico tem de ter o mesmo princípio ativo do medicamento de referência e estar devidamente atestado pelo Ministério da Saúde. Mas qual é o nível de credibilidade do brasileiro em relação às agências controladoras? O grau de confiança aos setores de fiscalizações públicas está cada vez menor”, critica.

Gobbo destaca ainda o combate do Cremesp à prática comercial no momento de prescrever medicamentos aos pacientes. “É combatido essa relação lucrativa do médico com laboratórios. Isso vem diminuindo bastante ao longo do tempo”, finaliza.

PROCURA POR GENÉRICOS AUMENTA

Pesquisa do Ifepec revela que 37% dos consumidores brasileiros adquirem medicamentos genéricos, muitos em razão da instabilidade econômica do País. Outros 32% compraram os “de marca”, chamados de referência, e 31% adquiriram uma mescla dos dois tipos.

“Os genéricos já venceram a desconfiança inicial que enfrentaram no mercado e, hoje, já fazem parte das opções de escolhas dos consumidores”, analisa Edison Tamascia, presidente da Febrafar, órgão que encomendou o levantamento.

Ainda de acordo com os dados, 45% dos consumidores acabaram comprando produtos diferentes do objetivo inicial e quase a totalidade desses clientes buscava economia. “É importante reforçar que o cliente não está indo contra a indicação médica, pois o genérico possui a mesma substância ativa”, observa Tamascia.

Segundo a pesquisa, 24% dos entrevistados compraram exatamente o que foram buscar nas farmácias, 31% modificaram parte da compra e 45% trocaram os medicamentos por vontade própria ou por indicação dos farmacêuticos. A tendência por buscar remédios genéricos é reiterada pela maioria dos farmacêuticos ouvidos pela reportagem, incluindo farmácias de manipulação. Estas, porém, não alteram o receituário sem conhecimento e autorização do médico.

REMÉDIOS CONSOMEM 3,52% DA RENDA

Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) obtidos pelo IBGE por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) - sendo a mais recente realizado nos anos de 2008 e 2009 -, apontam que o brasileiro gasta 3,52% da sua renda somente com medicação.

Os produtos farmacêuticos mais adquiridos pela população são: anti-infeccioso e antibiótico; analgésico e antitérmico; anti-inflamatório e antirreumático; antigripal e antitussígeno; dermatológico; antialérgico e broncodilatador; gastroprotetor; vitamina e fortificante; e hormônio.  

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