Caro Zarcillo Barbosa, li seu texto (30/07) sobre o tal filme que retrata a retirada de Dunquerque, conhecida como 'Operação Dínamo' . Não entrarei nos muitos erros cometidos pela França e Inglaterra à época, que levaram a tal catástrofe (a França, em menor escala, cometeu os mesmos erros depois lá na Indochina, hoje Vietnã, nos anos 50, após perder a batalha de Dien Bien Phu). Dinheiro e inimigo subestimado não toleram e não levam desaforo pra casa não...
Em Dunquerque, Churchill ao ordenar (batendo pé!) pela retirada do estropiado exército inglês e dos 60 mil franceses que ali estavam presos (eles embarcavam sim nos botes e navios ingleses) sob protestos de seus generais gabolas e arrogantes relutantemente contrários à retirada que, aliás, não admitiam, mandou que 'tudo o que possa navegar, até as banheiras!' deveriam ser usadas para resgatar os infelizes soldados ingleses e franceses. E assim foi...
O desastre, segundo me contou um veterano francês que conheci, só não foi maior porque os aviões alemães ao lançarem suas bombas na praia tinham estas amortecidas pela areia fofa e as metralhadoras dos aviões pouco estrago fizeram contra os homens escondidos nas dunas, caso contrário, fosse o terreno mais duro e plano, a chacina teria sido terrível!
Mas foi de fato o combate incessante que a Royal Air Force deu aos caças alemães o fator principal para o sucesso da operação que garantiu que tudo o que pudesse navegar retirasse os homens da praia. Enquanto isto, os poderosos e modernos navios da marinha francesa que poderiam ter sido um diferencial ficaram escondidinhos no porto de Oran a título de 'autopreservação'.
Outro fato, o bárbaro tedesco (austríaco na verdade) poupou tanto Inglaterra quanto a França do morticínio das tropas (os generais alemães se opuseram a Hitler porque queriam a destruição total dos dois exércitos e o tempo deu razão a eles) porque julgou ainda haver brecha diplomática para um armísticio seguido de um possível apoio velado e indireto destes aos seus planos de ataque à então União Soviética.
Do desastre de Dunquerque e sua vergonha para a França e Inglaterra há um efeito pouco discutido pela história, mas decisivo para toda a humanidade, que foi, lógico, após Pearl Harbour e a entrada dos EUA na guerra, a discussão sobre o perfil ideal para um Comandante Supremo Aliado no palco europeu resultando na nomeação de Dwight Eisenhower, um homem discreto, humilde, mas altamente prático que sabia enquanto militar de linha que quem luta morre e ganha batalhas são homens de carne e osso e não duques ou barões feitos generais por compadrio de velhas monarquias acostumados que eram a guerras coloniais ou de trincheiras (como no caso da Primeira Grande Guerra, de longe a mais sanguinolenta da era moderna) e sim soldados bem treinados, equipados e preparados de preferência para que ganhem batalhas de modo o mais rápido possível para que o número de baixas seja menor do que em longos embates com o inimigo.
No mais, igualmente a você, 'so stuffo' deste filmóides de fadinhas na floresta e super-heróis ridículos, mas discordo da situação atual da Europa que, após todo este conflito, hoje está sim sendo invadida e destruída em sua cultura e civilização e nada está sendo feito em nome de um pretenso 'humanismo' cego e estúpido.
A Europa nada aprendeu em Dunquerque e nada aprendeu depois, com os EUA, mesmo nos dias de hoje!