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| Quando garoto, Jimmy corria para casa após a aula para ouvir George Benson no rádio |
Moçambique, musicalmente, nunca esteve tão perto de Bauru. Para ser mais preciso: dentro. Jimmy Dludlu, eleito melhor artista africano de jazz em 2016 pela Afrimma (African Muzik Magazine Awards) e vencedor de vencedor de seis Grammy Awards, chega à cidade com sua guitarra envolvente para show hoje, às 20h, no Sesc. Ele falou ao JC.
JC - Bem-vindo ao Brasil pela primeira vez. O som que você ouvia do rádio influenciou sua iniciação musical, certo? Rádio é mistura. Jazz é mistura. A música brasileira, tão misturada, também é ingrediente para sua criação?
Jimmy - Eh pá, não se fala em minha música sem influência brasileira! Primeiro: Antonio Carlos Jobim. Segundo: Gilberto Gil. E vem Djavan, Gal Costa e Ricardo Silveira, um grande guitarrista. E foi mesmo: havia um programa de rádio cujo forte eram músicas de fora. Corria da escola para chegar em casa e pegar minha viola para tirar e ensaiar as músicas de George Benson [guitarrista norte-americano]. Que, aliás, eu adorava e gosto muito até hoje.
JC - Que dica tem a dar um instrumentista iniciante?
Jimmy - Oito horas por dia... Ensaiar, fazer pesquisa, ir em busca da história do instrumento. E chegar à África, onde tudo o que é música teve início, onde o próprio ser humano começou.
JC - O que você deseja que sua música mais provoque nas pessoas?
Jimmy - Que toque na alma. Precisam sentir a mensagem de amor, paz e "hope"... esperança. Para convivermos juntos em todos os continentes. E confiar em Deus.
JC - Bauru é uma cidade bem musical e com ótimos músicos. Pretende conhecê-los?
Jimmy - Vou de coração aberto, com o espírito aberto. Quero conhecer meus irmãos, quero aprender. Eh pá: estou aberto a qualquer oportunidade.
NO CAMINHO
O guitarrista moçambicano Jimmy Dludlu veio ao Brasil pela primeira vez para um total de quatro apresentações. Após Sorocaba, Taubaté e São Paulo (Sesc Pompeia), Bauru encerra o giro do artista por aqui. Trata-se da turnê "In the Groove", baseada em seu recém-lançado álbum homônimo.
VOCÊ SABIA?
Com oito álbuns no currículo, a carreira de Jimmy Dludlu decolou na década de 1980 quando trabalhou com várias bandas da África do Sul, onde morou por três décadas e ganhou vários prêmios até retornar a Maputo, capital de Moçambique, em 2015.
SERVIÇO
Festival Sesc Jazz & Blues: 20/8, hoje, encerramento às 20h com guitarrista moçambicano Jimmy Dludlu e banda. Valores: de R$ 12,00 a R$ 40,00 (dependendo do vínculo com o Sesc). Avenida Aureliano Cardia, 6-71 - Vila Cardia. (14) 3235-1750.
