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Escola de Bauru faz expedição até Mariana

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Um ano e nove meses após o desastre ambiental que matou 19 pessoas, por conta do rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), integrantes do D'Incao Instituto de Ensino (Bauru) fazem a segunda expedição de constatação dos danos. A primeira viagem ao distrito de Bento Rodrigues foi um mês após a tragédia, ocorrida em novembro de 2015. No retorno ao local, mês passado, os professores Pedro D'Incao (física), Ana Paula Freitas dos Santos (biologia), Reinaldo do Valle (técnico de laboratório) e Alexandre Haralampidis (fotógrafo e cinegrafista) ficaram perplexos com o abandono do local da tragédia.

O distrito fantasma e a extensa área contaminada no entorno de onde ficava a barragem de Fundão expõem a consolidação física e ambiental dos estragos. "Eles estão presentes em escala. É chocante o abandono. O local contaminado tem duas entradas com cancela. Ninguém entra porque há perigo de contaminação e risco de desabamento", conta Pedro.

A professora de biologia menciona que, a exemplo da viagem inicial, foram novamente coletadas amostras de água e do solo para análise físico-química. "Assoreamento de grandes proporções, com acúmulo de sedimentos tomando a maior parte do que era a calha do rio", descreve.

Eles contam ainda que conseguiram entrar no epicentro da tragédia porque a área foi aberta para uma atividade religiosa, bem na ocasião em que lá estavam. "A maioria não mora nem perto de lá. Quem ficou foi para a cidade (Mariana). Os moradores contam que as indenizações ainda não foram pagas. A única ação visível da Samarco é pagar o cartão de um salário mínimo para quem morava em Bento Rodrigues, local do rompimento da barragem", acrescentam.

MAIS AMPLA

As alegadas ações de recuperação discutidas entre Ministério Público e Samarco não são avistadas por lá, garantem. "Fizemos uma viagem mais extensa dessa vez, indo ao distrito, que é um cemitério fechado de escombros de antigas moradias e rejeitos de lama, além de material pesado tomando uma imensa área. Depois, percorremos extensões do Rio Doce e mais de 2/3 da calha do rio foi tomada por consolidação da lama contaminada. O que restou do pequeno curso do rio não tem sinais de vida. A extensão da tragédia é tão grande que o assoreamento se faz presente de Minas até o Rio Doce desembocar no mar, em Linhares (SC). Existem bancos de areia da lama contaminada e manchas na praia de Regência, que fica a centenas de quilômetros de onde ficava a barragem da Samarco", comentam os professores.

Conforme os visitantes, moradores de cidades ao longo do Rio Doce voltaram a consumir sua água. "Na Vila de Pescadores de Regência, quem ficou sofre com o consumo de bebidas e a falta da atividade da pesca. As vítimas perderam a identidade e estão sem apoio psicológico", acrescenta Ana.

O DESASTRE

A barragem da Samarco em Mariana (MG) rompeu em 5 de novembro de 2015, causando a destruição do Distrito de Bento Rodrigues e atingindo outras localidades. Lama misturada a rejeitos de minério de ferro e metais pesados atingiram mais de 40 cidades do Leste de Minas Gerais e do Espírito Santo. O desastre ambiental deixou 19 mortos e um corpo não foi encontrado.

Na semana passada, a Justiça Federal suspendeu a ação penal por homicídio qualificado com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR. A ação ainda discute denúncia por causar inundação, desabamento, lesão corporal e crimes ambientais. O Judiciário acolheu, preliminarmente, reclamação da defesa de nulidade no processo sob alegação de descumprimento da ordem que gerou escutas telefônicas no início da repercussão da tragédia.

Na ocasião, lama, rejeitos sólidos e água atingiram 128 casas e a 'onda' de contaminantes se estendeu por uma área de 10 mil km2, de Mariana até o litoral capixaba. Isso equivale a mais de seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo, com o deslocamento de 62 milhões de m3 de minério de ferro, com presença de metais pesados.

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