| Samantha Ciuffa |
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| O vereador Milton Sardin questiona a eficácia dos serviços |
O serviço de tapa-buracos realizado pela Prefeitura de Bauru 'resolve' momentaneamente o problema nas vias públicas e depois "esfarela" com rapidez em boa parte dos locais onde é aplicado. A despeito da polêmica em torno do número de buracos tapados, a administração municipal reconhece que a operação é realizada nas ruas em desacordo com a condição exigida por critérios de engenharia. A Secretaria Municipal de Obras argumenta que o serviço é paliativo.
Ainda assim, as frentes de trabalho foram distribuídas em locais onde a degradação excessiva do piso e a ausência de drenagem apontam que o tapa-buraco não vai funcionar. A prefeitura consumiu o volume de 2.000 toneladas de produtos contratados junto à empreiteira Fortpav, ao custo total de R$ 730 mil.
Segundo o governo, foram atacados 24.132 buracos em 57 bairros da cidade, em pouco mais de dois meses. Mesmo com o período de longa estiagem dos últimos meses, o remendo já se desprende do solo em vários endereços.
Para o secretário Municipal de Obras, Ricardo Olivatto, o serviço paliativo era a alternativa para este momento.
"O adequado para o serviço é você ter toda a estrutura de drenagem. Mas a situação do asfalto antigo na maioria das ruas se acumula com falta de drenagem. E isso vale para 60% do município. O tapa-buraco é paliativo. A medida não é duradoura, mas vai resolver o problema por um tempo. Estamos gastando R$ 700 mil com isso. O custo com drenagem seria de R$ 40 milhões para alguns dos trechos onde o serviço já foi realizado", afirmou.
Sobre a divergência sobre a quantidade de buracos, o secretário aponta para a forma de checagem do material.
"Temos debaixo de pedaços de mais de um metro de diâmetro uma espécie de esparadrapo, que cobre vários buracos. Mas isso é resolvido com a forma de fiscalização. O que vale é que esse serviço é pago pela diferença entre o caminhão pesado com a massa, por trecho de serviço, e depois o caminhão vazio", menciona.
'VAI SOLTAR'
A discussão sobre a viabilidade do serviço contratado pela Prefeitura, a qualidade do que está sendo feito e a quantidade de buracos tapados foi aberta pelo vereador Miltinho Sardin. Ele ficou incomodado com o marketing da Prefeitura para os serviços.
"No Parque Santa Terezinha, onde são poucas ruas, eles contaram 540 buracos e divulgaram que foi utilizado 23,5 toneladas de massa asfáltica. Eu fui lá, contei rua a rua e falei com os moradores. Não encontrei mais de 185 buracos", levantou.
A discussão sobre a quantidade de buracos levou em conta a "fórmula" de contagem de cada lado. O secretário de Obras argumentou que para um mesmo ponto são identificados até mais de 10 buracos. Moradores e vereador não concordam. "Só se eles contarem cada abertura do tamanho de um copo como buraco. Ainda assim a contagem é absurda. Aqui no Santa Terezinha os buracos são tão antigos que os moradores sabem um a um. É visível na rua que não tem tudo isso de buraco", lançaram moradores ao observar os remendos, como David William Messias.
Mas a questão, então, passou a ser a qualidade. Com as chuvas, o remendo vai soltar. "Esse serviço não vai durar. O que tinha de asfalto é muito velho e bem estragado. Não vai colar. Vai soltar. Já fizeram esses remendos. É só começar a chover e descola tudo. Material antigo com massa nova aqui não funciona. É jogar dinheiro fora. Tinha de raspar tudo e por asfalto novo em tudo", apontou o morador, em referência à técnica chamada de fresagem.
Olivatto aponta que a situação é precária nas ruas. Bairros inteiros, como o Santa Terezinha, não contam com drenagem. "Em todo local sem rede de água eficiente o asfalto tende a soltar. O adequado lá, como na maior parte da cidade, é fazer a rede antes", finalizou.
'ESPARADRAPO' NA RUA
O serviço tipo "esparadrapo" mencionado pelo secretário de Obras Ricardo Olivatto não vai durar. Técnicos em serviços no segmento ouvidos pelo JC apontam falhas na forma e nos critérios para a execução do serviço.
Uma das questões principais é reconhecida pela própria Secretaria de Obras. Misturar, em trechos de buracos espalhados nas ruas, massa asfáltica "nova" com produtos antigos traz dificuldade de "cola". Mesmo a prefeitura informando que 'assopra" o buraco (usar assoprador para limpar o local), os vestígios se misturam sem o recorte da área afetada. E a "liga" entre os materiais não funciona dentro do padrão ideal.
Ainda assim, o assoprador só é utilizado pela empresa contratada. A Prefeitura continua utilizando a vassourinha para "limpar" o buraco. A fiscalização interna dos serviços é precária.
Outra dificuldade é na compactação. Em vários locais, o produto instalado nas ruas está soltando. Em outros pontos o material é tão 'ralo' que já esfarela. A equipe da Prefeitura usa equipamento manual.
"Vamos comprar assoprador e alugar o compactador para usar nas frentes de trabalho da Prefeitura", anuncia o secretário Olivatto.
A prova final para a qualidade dos serviços é o tempo. Alguns dias de chuva associados a alternância de temperatura, seguidos do calor previsto a partir de agosto, vão apontar os defeitos do serviço.
DAE: O SERVIÇO COM VALAS AFUNDA NAS RUAS
| Malavolta Jr. |
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| Remendo afunda na rua Joaquim Fernandes quadra 1 e em outras partes da cidade: desafio |
Enquanto o tapa-buraco da Prefeitura tem data de vencimento anunciada, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) segue realizando serviços que afundam o pavimento em diferentes cantos da cidade. O presidente Eric Fabris pondera que a orientação é para que as equipes sigam os protocolos técnicos exigidos para os reparos de vazamento em vias públicas.
Mas basta andar pelos locais onde a autarquia abre as chamadas valas para comprovar que a orientação não está sendo seguida. Engenheiro, Fabris lembra, em linhas gerais, que o trabalho de reparo em valas em vias públicas para conter vazamentos deve retirar toda a terra molhada, utilizar terra seca na reposição, realizar compactação eficiente e aplicação de brita para, depois, ser reposto o pavimento com massa asfáltica.
Mas, frise-se, é comum o afundamento sobre valas abertas pelo DAE. A presidência responde que serão revistos os meios de fiscalização e cumprimento da técnica para o reparo, com o objetivo de resolver a questão.
"O presidente reconhece que em alguns casos há uma certa displicência dos funcionários, especialmente na compactação do solo e colocação da brita. Por isso o DAE está apertando a fiscalização com o intuito de melhorar a qualidade dos serviços", comenta Fabris através da assessoria.
O serviço mal executado pela autarquia gera outros prejuízos. Além do tempo de mão de obra desperdiçado e das consequências causadas ao tráfego (com risco de acidentes nas depressões), o afundamento do pavimento amplia o efeito de "queijo" nas vias. Os afundamentos deterioram, também, ruas onde foram investidos milhões no programa de pavimentação.
Além disso, em vários pontos o resserviço se multiplica. Segundo o DAE, foram atendidos 3.283 vazamentos de água na rua, de janeiro a maio deste ano.
Destes, os serviços foram repetidos em 543 locais. Entre os endereços com reincidência de pelo menos três vezes estão a avenida Cruzeiro do Sul, Ruas Amina Hamad Giacovoni, Ignácio Alexandre Nasralla, Silva Jardim, José de Alencar e rua dos Andradas.
Mas o dado não traz outros endereços onde, nos últimos 12 meses, a repetição do serviço ma executado é visível. Os próprios moradores informam endereços além do registrado pela autarquia, o que agrava o desperdício de recursos e deficiências na gestão operacional e fiscalização.
São inúmeros os exemplos de que o afundamento merece correção operacional e, até, administrativo-funcional. O caso da quadra 1 da Rua Joaquim Fernandes, no Jd. Higienópolis, é típico.
"A equipe do DAE veio aqui e arrumou em 40 minutos. Até eu que não entendo desse serviço sei que é preciso compactar e fazer certinho o que está embaixo do asfalto para durar o que vem em cima. Uma semana depois já afundou. E já teve acidente com moto caindo no afundamento", descreveu Luiz Antonio que trabalha bem próximo ao local.

