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Estação de Tratamento de Esgoto é mais uma obra sem gestão eficiente

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 2 min

Esse artigo deve começar pelo antigo e sábio ditado popular "Pau que nasce torto, morre torto". Em 2015, a cidade de Bauru foi contemplada com verba de R$ 118 milhões a fundo perdido, do governo federal, para a construção da sua tão sonhada Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Após a aprovação da verba, a prefeitura fez uma licitação para poder contratar uma empresa que fizesse o projeto da obra. Em seguida, foi realizada a licitação para escolher a empreiteira que realizaria a obra.

A empresa Arcadis Logos ficou com a responsabilidade de elaborar o projeto e a empresa COM Engenharia de realizar a obra. Desde então, percebe-se que não houve na gestão do ex-prefeito Rodrigo Agostinho (2009-2016) e do ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto - DAE, comandado à época pelo sr. Giasone A. Cândia, os devidos cuidados e o acompanhamento da fiscalização que uma obra deste porte exige.

O custo inicial em 2015 era de R$ 126 milhões, a obra mais cara do Interior do Estado de São Paulo.

Hoje estima-se que este valor está em R$ 144 milhões sem que a estação esteja próxima de ser concluída. A parte civil caminhou a passo de tartaruga, até que a obra emperrou por conta de testes realizados que detectaram resultados insatisfatórios em parte das estacas com relação às provas de carga.

Outro "pequeno" problema apontado foi com a ausência de um projeto elétrico para a obra. Como pode uma obra desta magnitude e valor ter começado e caminhado por meses sem que o DAE, os fiscais da prefeitura e as empresas envolvidas tenham percebido a ausência do projeto elétrico?

Descaso? Falta de capacidade de gestão?

Seguindo a tradição de Bauru, onde um simples viaduto demorou 21 anos para ser entregue para a população, a ETE caminha para dar aos bauruenses muitas dores de cabeça e um prejuízo financeiro sem precedentes. Hoje esse prejuízo já está em R$ 18 milhões de reais.

Ter o esgoto tratado em cem por cento da sua totalidade é um sonho para qualquer cidadão bauruense e também para boa parte do povo brasileiro, porém, saber que uma obra para resolver tal problema está sendo feita e conduzida de forma aquém do que deveria deixa a todos apreensivos.

Falta qualidade aos nossos gestores, conhecimento técnico e vontade política para saber ao menos acompanhar e administrar obras de tamanha relevância. Nossos políticos estão muito abaixo daquilo que deveria ser o mínimo necessário para uma gestão eficaz, proba e financeiramente aprovada.

Com isso, a população fica à mercê da incapacidade e da ausência de qualidade técnico administrativa, para que nosso caro dinheiro seja empenhado em obras com princípio, meio e fim. Dentro do que se espera de gestores que foram eleitos ou indicados para agir com ética, probidade e inteligência, visto que manuseiam recursos que originam-se de nossos impostos.

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