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Navegar é preciso... viver também!

Katya Sette
| Tempo de leitura: 2 min

A vida é um rizoma de relações, labirintos e questões para serem refletidas. Para entendê-la é preciso mergulhar em universos desconhecidos e "olhar" para o horizonte. Mas com certeza um dos mistérios mais intrigantes é a morte. Descobrir o mistério da finitude foi sempre muito enigmático. Por que vamos em determinada hora? E para onde?

Elaboramos sempre de forma lúgubre os nossos próprios medos e sua relação com a morte, a finitude do ser humano é intrigante e amedrontadora. Ora, se todos nós vamos embora em um determinado momento, por que tanto medo desse fantasma do apagar das luzes e por que tentamos tanto entendê-la e posterga-la? É preciso aceitar a morte, elaborá-la para se falar da vida, Ah a vida! Mas se damos tanto valor a vida, por outro lado parece que a vida está passando sorrateiramente entre nossos dedos e a percepção do tempo tornou-se mais devastador.

Somos capazes de viver grudados em um aparelhinho (celular, claro) dizendo bom dia, boa tarde e boa noite a um número infinito de pessoas nos famosos grupos de WhatsApp que as vezes não tem nada a ver com nosso cotidiano e nossas relações verdadeiras. Em contrapartida, não conseguimos em uma tarde solitária, sequer uma companhia um ser humaninho para dividir nossas angustias, nossas necessidades e conflitos. Uma conversa boa, reflexiva e verdadeiras esta prestes a ser extinguida nesse mundo da internet que tudo aceita e tudo parece ser verdadeiro. Só que não! Existe uma urgência de viver, o fazer, o agir, o movimentar-se, mas, estáticos. Estamos passando a vida olhando pra baixo, reféns de uma telinha.

A percepção do tempo está fugindo do nosso controle. Passamos tanto tempo navegando que esquecemos da vida. E, com isso, deixamos passar a experiência do corpo no espaço. Corpo e espaço, muitas possibilidades experenciadas riqueza de mundo lá fora, vida em abundância que pulsa. Esquecer a morte e possibilitar a vida!

Aprender a viver, aceitar a beleza, o prazer, a afetividade, os limites físicos, os sentimentos, o contato com o outro, cara a cara, olho no olho. A experiência da vida e não o medo da morte, perceber os minutos no relógio, e aproveitar cada minuto nesse adorável mundo das relações humanas, verdadeiro e prazeroso.

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