Tribuna do Leitor

Bolsonaro, Lula, Trump e a vergonha na cara

Faukecefres Savi, advogado e blogueiro.
| Tempo de leitura: 2 min

Dois textos da imprensa paulistana deram mote à redação do comentário que se segue. O primeiro ligado a Jair Bolsonaro, o controvertido militar reformado, posicionado à extrema direita do espectro político. José Roberto de Toledo em artigo no Estadão de segunda questiona seu mote sobre pena de morte e homossexuais.

Penso que Bolsonaro ou qualquer um pode ser contra ou pró a pena de morte ou homossexuais, afinal esta é (ou julgamos que seja) uma democracia com liberdade de opinião e expressão. É um direito dele.

Para que legislação federal, inclusive a Constituição, sejam mudadas a fim de criar a pena de morte ou rejeição dos homo, será preciso que o legislativo aprove e que o eleitor que ele representa concorde. Afinal, nosso texto maior lembra que "todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".

Bolsonaro pode ser eleito? Se a parcela do eleitorado que nele acredita for majoritária e votar nele, elegendo-o, teremos que aceitar o fato. Numa sociedade como a nossa, que já elegeu Fernando Collor e antes Jânio Quadros, tudo é possível. Mesmo sociedades supostamente mais evoluídas e participantes, como a americana, p.ex., elegeu Donald Trump, que a continuar como está, logo será assemelhado a Hitler e o nazifascismo.

Obtendo praticamente a metade dos votos, expõe que 50% dessa sociedade quer isso mesmo, algo parecido ao nazifascismo.

E por aqui, o que fazemos? Clóvis Rossi tenta simplificar um dos problemas que nos afligem - a reforma política - reduzindo tudo a uma questão de ter ou não ter "vergonha na cara". Seu texto saiu na Folha digital, no Uol, e será publicado na edição impressa do jornal.

Na suposta reforma constitucional se diria que todo mundo é obrigado a ter vergonha na cara, revogando-se as disposições em contrário. Pouca diferença fará que o sistema mude de eleição proporcional, voto distrital ou misto, uma vez que, havendo vergonha na cara - dos eleitores que votam e dos políticos votados - irá aparecer a melhor solução para esse complexo problema.

Porém (sempre há um porém), como os deputados e senadores estão muito mais interessados em salvar seus próprios mandatos em futura reeleição, mantendo o foro privilegiado ( ainda que desavergonhadamente), para que tudo mude para ficar exatamente como está, pouco avançaremos.

O melhor ditado popular para tais situações reza que "todo povo tem o governo que merece". Se Lula voltar para melhorar "a merda que aí está" em sua própria expressão, sendo que ele faz parte desse monturo a que nos reduzimos, ou se um hipotético fascistóide como Bolsonaro merecer a escolha majoritária, será pelo voto. Donde se conclui que quem deve ter vergonha na cara em primeiro lugar é o nosso povo, que vota nos políticos e depois "lava as mãos", como Pilatos, face às barbaridades que aprontam.

Já se escreveu que a corrupção no nível que atingimos, só é possível numa sociedade em que a mesma seja aceita como normal, por que todos seriam corruptos. Daí nem Capistrano e seu modelo de vergonha revolveriam.

Pobre país este nosso...

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